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Perda da visão na velhice

Dráuzio Varella

Depois dos 50 anos, a principal causa de perda da visão é a degeneração da mácula.

A mácula é uma pequena área localizada na porção central da retina, que contém a maior densidade de fotorreceptores. É responsável pela acuidade visual de alta resolução que nos possibilita enxergar os detalhes mais finos, ler textos e reconhecer faces.

Com a idade, na região da mácula, podem ocorrer depósitos de material constituído por restos celulares. Ao exame do fundo do olho, os oftalmologistas enxergam esses depósitos como lesões amareladas que acometem a mácula e a retina em volta dela.

Essa degeneração resulta de uma resposta inflamatória crônica disparada pelos restos celulares, que destrói os fotorreceptores, provoca atrofia e libera fatores que causam proliferação de vasos sanguíneos (fatores angiogênicos).

Os vasos assim formados causam pequenas hemorragias, extravasamento de líquido, deposição de gordura, descolamento do epitélio da retina e o aparecimento de cicatrizes, que comprometem a integridade da mácula.

Nas fases mais precoces, a perda de visão costuma ser pouco perceptível. Quando ocorrem, os sintomas são: visão borrada, pontos luminosos, diminuição da sensibilidade aos contrastes de luz, dificuldade de adaptação ao escuro e necessidade de iluminação mais intensa para ler. A perda gradativa da visão pode evoluir de forma insidiosa no decorrer de meses ou anos, ou instalar-se abruptamente em semanas ou dias como consequência de hemorragias locais e extravasamento de líquido dos vasos recém-formados.

Embora responsável por apenas 10% a 15% dos casos, a forma de instalação abrupta é a causa de 80% dos casos de perda grave ou total da visão.

A probabilidade de apresentar os primeiros sinais da doença na faixa dos 43 aos 54 anos de idade é de 8%. A prevalência sobe para 30% entre pessoas com mais de 75 anos.

A prevalência varia de acordo com a predisposição genética. Apresentam maior probabilidade de desenvolvê-la: fumantes ativos e passivos, hipertensos, obesos e os que ingerem grandes quantidades de gorduras vegetais e dietas pobres em frutas, verduras e zinco.

O tratamento exige mudanças no estilo de vida. Fumantes apresentam o dobro de chance de desenvolver a doença; haver deixado de fumar há mais de 20 anos torna a incidência idêntica à dos que nunca fumaram.

É importante diminuir o consumo de gorduras, manter peso saudável, controlar a pressão arterial e adotar dietas ricas em frutas, folhas verdes, grãos integrais, peixes, nozes, castanhas e amêndoas.

Um dos métodos para combater a proliferação de vasos sanguíneos característica da degeneração macular é a terapia fotodinâmica, através da qual um corante sensível à luz (verteporfina) é injetado na veia. Como a verteporfina atinge maiores concentrações nos vasos recém-formados na região da mácula, a aplicação local de raios laser é capaz de destruí-los.

Embora o tratamento fotodinâmico não melhore a acuidade visual, ele pode limitar a perda.

Nos últimos anos, a injeção intraocular de agentes que reduzem a proliferação de vasos sanguíneos (antiangiogênicos) teve grande impacto no tratamento.

Dispomos de 2 medicamentos dotados dessa propriedade: ranibizumab e bavacizumab. Ambos podem ser aplicados em consultas ambulatoriais, com anestesia local, e parecem ser igualmente eficazes. A diferença de custos, no entanto, é altamente vantajosa para o uso de bevacizumab (U$ 30 contra U$ 1.950).

A extração cirúrgica dos vasos sanguíneos acumulados na mácula é hoje empregada apenas em situações muito especiais.

A implantação de dispositivos miniaturizados intraoculares para magnificação de imagens, bem como os ensaios clínicos em andamento com novos agentes antiangiogênicos, oferecem esperanças de chegarmos à velhice com a visão preservada.


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