Publicidade

Cuiabá, Domingo 18/08/2019

Jair Donato - A | + A

29.04.2014 | 00h00

Mapa não é território

Facebook Print google plus

O tema deste artigo é um dos pressupostos da Programação Neurolinguística, um modelo de linguagem utilizado no campo da aprendizagem do cérebro humano com foco na excelência, desenvolvido por Bandler e Grinder, na década de 1970. Mas este termo tema foi cunhado inicialmente pelo engenheiro, filósofo e matemático polonês, Alfred Korzybskiem,1931. É uma expressão que se refere à forma como o ser humano interage com a realidade na qual ele se encontra. Para ele, cada indivíduo experimenta o mundo através dos sentidos da visão, audição, tato, olfato e paladar. Na verdade, nem sempre o indivíduo tem acesso direto à realidade em si, mas apenas às percepções da realidade em que vive.Há uma enorme diferença entre um fato, que é o território, e uma concepção, o mapa. Enquanto o mapa deriva mais do que o indivíduo julga ser, o território é a realidade explícita, independente de julgamento algum, é o fato sem a interpretação.
Há uma analogia interessante que evidencia a diferença entre mapa e território. Certa vez um policial estava numa viatura pelas ruas e levava com ele um cão policial. Foi quando percebeu um garotinho olhando fixamente para eles, que em seguida o interpelou querendo saber se aquilo era mesmo um cachorro na viatura. O policial disse que sim, o outro ocupante era, de fato, um cachorro. O garoto ficou pensativo e intrigado com aquela cena e perguntou: ‘Senhor policial, o que foi que ele fez de errado para ser preso?‘.
Os mapas são aqueles processos representativos das percepções individuais de cada pessoa sobre si e sobre o mundo em que vive. Por exemplo, o que você pensa sobre uma determinada situação pode ser distorcido ou não ser o mesmo que pensa quem está do seu lado. São também as expectativas e pressuposições que você cria sobre si e sobre os demais, são seus moldes internos. Cada um tem o próprio mapa que pode derivar da formação de fatores genéticos e da história pessoal. Não é que haja um mapa melhor que outro. É por essa relatividade que ninguém pode afirmar ser o dono da verdade, que possui o mapa mais perfeito, porquanto tudo está vinculado às circunstâncias do momento, às vivências diárias e às representações internas. Em decorrência desse emaranhado de jogos de influências, referências e intervenções filtradas pelos mapas individuais é que surgem as ações e as incontáveis formas de agir. As pessoas reagem de diferentes maneiras, por vezes, aos mesmos estímulos, devido a subjetividade que sedimenta cada mapa interno.
É por isso que nesse contexto nem sempre mapa é território. Pois os mapas normalmente são diferentes devido a maneira individual de cada um perceber as realidades do mundo.Enquanto a realidade é representada pelo território, a percepção dessa realidade é o mapa mental construído singularmente para descrever o território em que vive o indivíduo.Os mapas são formados consideravelmente por crenças, que são modelos, frames, hábitos enraizados na estrutura psicológica de cada um, podem ser bons ou ruins, e costumam alterar a percepção do indivíduo. O território pode ser as funcionalidades de um produto, como ele funciona, que podem ser escritas, não mudam, estão lá no manual. Já o mapa é o significado que aquele produto tem para quem o utiliza, pode ser que sequer faça uso de todas as funcionalidades existentes. Um exemplo disso é aquela bicicleta ergométrica que pode terminar servindo como mais um porta toalhas na sua casa. Ou seja, a função designada por você não condiz com a natureza do objeto.
Como provocar uma mudança para diminuição dessa discrepância entre percepção e realidade? Cada vez que o indivíduo se permite ser tocado, moldado, sensibilizado e se torna mais isento e imparcial, uma transformação ocorre. Isso contribui para diminuir o alto índice de incongruência que existe entre o mapa e o território. Na prática, é se permitir ter mais experiências, acumular vivências. A empatia pode ser uma dessas vivências enriquecedoras. Dessa maneira, será possível ingressar-se num crescimento contínuo e viver numa realidade que faz mais sentido, e assim permear por um território também localizado pelo seu mapa. Contudo, esse é um contexto de subjetividade sem fim. No entanto, o maior desafio talvez seja conduzir-se aos diversos territórios através dos seus próprios mapas, sem fugas. A caminhada é longa.

Jair Donato é jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

Voltar Imprimir

Publicidade

Comentários

Jornal do Meio Dia - JM

Jornal do Meio Dia - JM

GD

GD

Enquete

É possível evitar rebeliões em penitenciárias brasileiras?

Parcial

Edição digital

Domingo, 18/08/2019

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem

Publicidade

btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 19,00 1,60%

Algodão R$ 89,91 -0,27%

Boi a Vista R$ 137,00 0,37%

Soja Disponível R$ 68,90 0,15%

Publicidade

Classi fácil
btn-loja-virtual

Publicidade

Mais lidas

Publicidade

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados, Gráfica Millenium e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2018 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.