02.08.2016 | 00h00
Com o advento dos dispositivos eletrônicos há uma facilidade para replicar mitos e histórias que alguém inventa com versões ou elementos pretensiosamente falsos. Por falta de informação e pouco interesse ou responsabilidade, uma infinidade de seguidores compartilha burilando ainda mais o imaginário alheio.
Há uma historinha daquelas que você já deve ter lido em algum lugar, sobre as adversidades que a águia passa após os 40 anos. Existem textos e vídeos sobre ela circulando pela Internet e leva muita gente se emocionar utilizando-os em treinamentos como fonte motivacional. Você já questionou se será isso mesmo verdade? Um autor desconhecido diz que a longevidade da águia faz com que ela após os quarenta anos, tome uma difícil decisão para chegar até os setenta.
No momento em que as unhas ficam compridas e moles, o bico alongado e pontiagudo torna-se curvado, além das asas pesadas e densas pelas penas envelhecidas pelo tempo, a ela só resta duas opções que é deixar-se morrer ou lançar-se a um processo doloroso de renovação que pode durar cinco meses seguidos. Essa segunda opção leva a ave a se refugiar no alto de uma montanha, bem próximo a um paredão.
É nesse local que ocorre a fantasiosa renovação. Então ela começa o ritual de mortificação. Ela bate o bico contra a parede até que ele seja arrancado com tamanha dor. Daí nascerá um bico novo e será com ele que ela vai arrancar as unhas velhas. E com unhas novas arranca as velhas penas. Finalmente, ao término dos 150 dias eis que a águia renascida, vitoriosa, sai para o voo de renovação e pronta para viver mais trinta anos. Mas, dentre as imagens e vídeos circulados, você já viu algum com uma águia automutilada? Que coisa, não?
Será mesmo que para provocar a motivação de uma equipe, será necessário recorrer a tal artifício? Ou não seria mais eficaz adotar programas que alinhasse os valores pessoais dos colaboradores à identidade e aos valores da organização em que trabalham? Vejo ainda muito artifício, pura maquiagem aplicados por treinadores e gestores na espera de obter mais comprometimento das equipes e talvez por isso não sabem porque a performance dos resultados não aumenta.
É claro que a estorinha da águia é falsa. Quem afirma é o falcoeiro André Luiz Bizutti, que trabalha profissionalmente com aves de rapina. Segundo ele, a águia não faz isso. Ela chega a viver em torno de trinta anos e com ela não ocorre o processo descrito na lenda. Ele afirma que seria impossível a águia permanecer por cinco meses sem comida, morreria antes do décimo dia, provavelmente. Esse é o fato, o resto é mito.
Isso evidencia que nem sempre replicar qualquer mensagem que esteja ’bombando’ nas redes ou que contenha algum apelo emocional seja saudável ou ético. Recorrer à pesquisa e checar fontes podem evitar situações dessa natureza. Embora seja enorme a diversidade de mitos em detrimento ao que pode ser considerado verdadeiro, sempre é válido saber a veracidade daquilo que se transmite. De acordo o contexto, replicar uma informação improcedente pode provocar conflitos nas relações interpessoais, além de uma série de outros prejuízos. Ou no mínimo, manter a ignorância sobre o assunto.
Jair Donato é Jornalista em Cuiabá, professor universitário, palestrante, consultor e especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br
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