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12.06.2018 | 15h29

A injusta distribuição tributária. Quem paga a conta?

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O Brasil está passando por uma crise institucional, política e econômica. Um cenário que pode fazer com que o país perca em pouco tempo, avanços conquistados em décadas. Precisamos construir saídas, e isso exigirá reformas e mudanças políticas.

Uma das maiores insatisfações do brasileiro são os altos impostos, e esse tema precisa ser debatido. O Brasil cobra uma carga tributária elevada, mas quem mais paga a conta? Se formos colocar na ponta do lápis, vamos observar que a maior parte da conta é paga por pessoas de baixa renda e da classe média.

Além disso, essas fatias da população não contam com o apoio benevolente das isenções fiscais, nem tampouco com os grandes empréstimos com juros subsidiados. O Brasil dos ricos é um estado mais generoso que o Brasil das classes menos favorecidas.

É importante analisarmos quanto cada pessoa paga de imposto. A divisão da carga tributária deve ser justa e garantir para população mais pobre um poder de compra cada vez maior. Isso só será alcançado quando os impostos embutidos sobre os produtos básicos forem reduzidos. Essa é uma das medidas mais práticas para mudar a realidade tributária injusta que o Brasil possui.

A correção das alíquotas do imposto de renda é outra coisa que precisa ser feita com urgência. A atualização da tabela não ocorre na mesma velocidade com que a inflação corrói os salários do cidadão, o reflexo disso, é que cada dia mais, o brasileiro da classe média está pagando mais impostos, pois os salários aumentam para repor perdas inflacionarias e a tabela de imposto de renda continua estagnada.

Se por um lado, para fazer o ajuste fiscal é preciso reduzir impostos sobre a base da pirâmide social, também é preciso rever algumas políticas de incentivos, assim como, ampliar à tributação sobre os mais ricos. Segundo estudos da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é considerado um paraíso tributário para os super-ricos, estou falando de cerca de 0,05% da população, aproximadamente 71 mil pessoas, que desfrutam de um estado generoso e benevolente.

Por fim, é preciso sim cortar privilégios como super salários e extravagâncias existentes nos três poderes, além de melhorar a eficiência do estado em todos os setores.

As mudanças nessas políticas podem criar as condições para a retomada do crescimento e dos investimentos que são fundamentais para melhorar a infraestrutura do nosso país. Agora para que essas mudanças ocorram, nas próximas eleições o brasileiro precisa pensar muito bem em quem votar para presidente, deputado federal e senador. Pois além de um bom governante, sem um congresso descente o Brasil não vai para frente.

Independentemente do tamanho, o estado tem um custo, não podemos aceitar que nós, a base da pirâmide, continuemos a pagar a maior parte da conta. Precisamos de uma divisão justa da carga tributária.

Caiubi Kuhn é geólogo, mestre em Geociências pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), docente do Instituto de Engenharia da UFMT e conselheiro do Crea-MT. E-mail:caiubigeologia@hotmail.com

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