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11.11.2017 | 00h00

Às vezes, é melhor calar

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Em boca fechada não entra mosquito. Quem fala demais dá bom-dia a cavalo. Lembrei-me destes dois ditados da minha infância, no interior das Minas Gerais, quando li nesta semana uma declaração da primeira-dama porto-riquenha, Beatriz Rosselló, afirmando que o brasileiro Paulo Coelho foi o autor do livro Cem Anos de Solidão. Claro que sua assessoria, ao constatar a gafe, lhe passou um bilhetinho com o nome correto do autor. Nada mais nada menos que o Nobel da Literatura, o colombiano Gabriel Garcia Márques.

Certamente não somos obrigados a ser uma Wikipédia (ou uma enciclopédia ambulante, como se dizia no período pré-Google), mas, como nos dois ditados acima, o melhor mesmo, quando não se domina determinado tema, é ficar de boca fechada, para evitar que citemos baboseiras ou caiamos na boca do povo.

Naturalmente, todos nós damos nossas mancadas, como acontecia nas provas escolares, seja no ensino fundamental, médio ou superior. Se todos fôssemos gênios, ninguém tiraria nota menor que a máxima nas escolas. Última forma, como se dizia na caserna, hoje tão requisitada pela ultradireita brasileira que se sente órfã do autoritarismo.

Reza a lenda de que alguns gênios foram péssimos alunos na escola, entre eles (Albert) Einstein. Mas este mito foi derrubado. Ao fazer uma pesquisa no Google, enquanto digito estes caracteres, vejo que a realidade foi um pouco diferente (no caso de Einstein, claro).

O gênio que revolucionou a física, na verdade, não foi mau aluno. Ele simplesmente não se interessava pela escola de seu tempo, como muitos não se interessam pela escola dos tempos atuais, especialmente a escola pública brasileira, jogada às traças pelos governantes de plantão. Professores maus remunerados (a grande maioria nem sequer é concursada, o que a impede de um dia sonhar com uma aposentadoria digna) e, muitas vezes, mal preparados são as principais causas.

Caso de polícia. Dia desses em São Paulo, fui à exposição "No subúrbio da modernidade. Di Cavalcanti 120 anos", na Pinacoteca (do Estado de São Paulo). Em cartaz até 22 de janeiro do ano que vem, é, sob meu ponto de vista, imperdível. Nascido no final do século 19, ele foi um dos ícones das artes plásticas brasileiras e retratava, nua e cruamente, a realidade brasileira entre elas a questão social.

Como no período em que viveu, como nos dias atuais, excetuando um ou outro hiato de tempo, a questão social continua sendo caso de polícia. Para constatar, basta visitar uma outra exposição, esta no Instituto Moreira Salles. Além da exposição fotográfica do suíço Robert Frank, pode-se constatar a "delicadeza" das autoridades brasileiras no trato da questão. Basta ver o espaço dedicado à Mídia Ninja, entre outros.

Jornalista em Cuiabá e sócio da Coxipó Assessoria de Imprensa.

E-mail: coxipoassessoria@gmail.com

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