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25.01.2018 | 01h30

Condenado, livre e candidato

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A história política do Brasil teve mais um capítulo de grande relevância nesta quarta-feira, dia 24 de janeiro de 2018. Um ex-presidente da República teve recurso de sentença julgado em segunda instância, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região - TRF4. Apesar de o órgão federal ter histórico de mandar prender após condenação, Luís Inácio Lula da Silva teve a pena aumentada, chegando a 12 anos e um mês, mas ainda está em liberdade. Continuará assim até que se esgotem os recursos possíveis nesta corte, que não são muitos.

Agora, se poderá ou não concorrer à presidência da República nas eleições deste ano, as chances são realmente bem menores a partir deste julgamento, quando, por unanimidade, o recurso da defesa foi negado. Se as chances diminuem, as discussões, com certeza, vão aumentar e por todos os cantos, da Justiça às mesas de bares.

Lula fica mais longe de se eleger por causa de uma lei contra a corrupção que ele mesmo criou, quando presidente da República, a chamada Lei da Ficha Limpa que, na verdade, os eleitores brasileiros ainda não sentiram de fato a sua validade. Será que agora vai?

Durante os discursos no TRF4, Lula chegou a ser comparado ao ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon (1969 até 1974), reconhecido por ter feito muito pelo país, inclusive no avanço contra a corrupção. Nixon foi reeleito em uma das maiores vitórias na história das eleições presidenciais norte-americanas. Mas tudo foi por água abaixo com as revelações sobre o escândalo político do caso "Watergate". As revelações sobre o envolvimento do presidente o levaram a renunciar à Presidência, para não sofrer o processo de impeachment. Só não sofreu processo e condenações porque seu sucessor na Presidência, Gerald Ford, emitiu um "perdão" para Nixon. Ou seja, leis criadas por Nixon também foram as que o tiraram da política, apesar do grande apoio que tinha.

O jornal americano "Washington Post", o mesmo que investigou e denunciou o caso "Watergate" e derrubou Nixon, afirmou ontem que a decisão do TRF-4 "potencialmente acaba com a carreira do icônico líder latino-americano", se referindo a Lula.

Aqui no Brasil, o que vai acontecer ainda pode surpreender. Lula deixou a presidência da República como um "ícone", com uma grande aprovação na maior parte dos estados. Conseguiu eleger e reeleger Dilma, que sofreu impeachment por causa das "pedaladas fiscais". Ela segurou até o fim, confiante de que não seria retirada do cargo, mas foi derrotada junto com seu partido e aliados.

Com as investigações da Lava Jato, com milhões de propinas filmadas, com os escândalos vindo à tona, surgiram os nomes, centenas deles e, dentre eles, o de Lula. Os "amigos" se digladiaram na Justiça. Foi um salve-se quem puder. Nunca se ouviu falar tanto em delação premiada.

Já pelas ruas, os eleitores de Lula ainda têm força para gritar, negam as acusações e seguem as coordenadas do partido. Infelizmente, nem sempre os militantes recebem boas orientações. A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, incentivou os apoiadores ao "radicalismo" nas ruas e praças das cidades brasileiras, na tarde de ontem, independentemente do resultado do TRF-4. Reafirmou a candidatura do Lula condenado.

A condenação do primeiro ex-presidente do Brasil ocorreu 25 anos após o primeiro impeachment de um presidente no país, Fernando Collor de Melo, que cumpriu apenas a suspensão de 8 anos de inelegibilidade política. Collor voltou ao mundo político, e logo foi acusado de participação na Lava Jato e, agora, lança seu nome, outra vez, como candidato à presidência da República. Às vezes, as notícias da política parecem piadas. Mas, infelizmente, não são.

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