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09.02.2018 | 00h00

Detalhes históricos: os adultos

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Dando continuidade sobre os aspectos históricos e geográficos dos índios conhecidos como Umutina, cujo contato oficial foi feito no início dos anos de 1911, por ocasião da instalação da rede de telégrafo pelo então Marechal Rondon. Relatamos parte dos impactos social e cultural deste processo de colonização implementado pelo governo na época, cujo propósito era explorar, ocupar e demarcar as fronteiras com assentamentos de colonos no interior do Brasil.

Com base em relatos dos sertanistas e pesquisadores estrangeiros que acompanhavam estas expedições, é que temos conhecimento de aspectos intrigantes e relevantes do cotidiano dos indígenas nesta fase de contato com os não indígenas. Foram essas pessoas que registraram por meio de cartas, relatórios, desenhos e diários o dia a dia naquela época e nos possibilita hoje entendermos e sabermos como viviam esses povos e as mudanças que sofreram ao longo de décadas após o contato frequente com a sociedade envolvente.

O etnógrafo Schultz fez um dos mais detalhados relatos sobre os índios Umutina, conhecidos na época também como "índios barbados". Por meio das anotações e descrições deste estudioso que hoje sabemos que os meninos da etnia Umutina era submetido a um ritual de passagem, marcado por uma série de eventos, quando passavam para a condição social de adulto perante grupo. De modo similar também ocorria com as meninas quando chegava a primeira menstruação, passando a usar na cintura uma faixa feita de casca tirada da árvore e amolecida após ser amassada com martelos feitos de pedra.

O relacionamento entre um casal, como nos relata o etnógrafo Schultz, começava com o namoro, onde o rapaz passava a usar o cabelo comprido e amarrado na forma de um rabo de cavalo. Um bom marido seria aquele que fosse um bom caçador, que soubesse manejar bem o arco e a flecha. A consumação do casamento era um tanto demorada, pois após feito o acerto entre as famílias e marcada a data, daquele dia até a consumação do casamento ele tinha que caçar por cerca de três noites, trazendo alimentos para o pátio da aldeia, só então ao som de apitos e buzinas feito de chifres de animais era anunciado a consumação do enlace matrimonial, indo então o rapaz morar na casa do sogro e ajudar nas atividades econômicas e sociais da nova família.

Quando a mulher ficava grávida, ela realizava trabalhos caseiros, ajudava na pesca com timbó e na coleta de frutas no mato. Acreditavam que a grávida deveria estar sempre em movimento para que a criança nascesse forte e no tempo certo. Após o parto a restrição alimentar era feita à base de beiju, mingau de mandioca e de milho. Não podia nos primeiros meses ingerir carne de peixe e de caça. O recém-nascido era adornado com penugens e o corpo pintado com urucum. As orelhas eram furadas e colocados brincos feitos de coco. O pai dava nome ao filho enquanto a mãe dava à filha.

Quando ocorria um falecimento na comunidade Umutina nesta época, como revelam os relatos feitos neste período, a mulher era toda pintada de urucum e jenipapo e levava nas mãos um pedaço de madeira, que nas concepções cosmológicas servia para o espírito cavar. A pessoa do sexo masculino tinha pintada de vermelho a cabeça e o restante do corpo de preto. Os cabelos compridos eram amarrados ao redor da cabeça com faixas de algodão. Levava no peito entre as mãos um tacape e seu arco e suas flechas. Os corpos eram enrolados em esteiras feitas de buriti e colocado em sepulturas cavadas na terra, dentro da casa de um dos parentes. Os demais objetos pertencentes ao morto eram destruídos ou queimados. O sepultamento era feito ao som de cantos e chocalhos.

Elias Januário é educador, antropólogo e historiador, escreve às sextas-feiras em A Gazeta. E-mail: eliasjanuario@terra.com.br

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