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21.01.2018 | 00h00

Doce ilusão! Será?

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2018 é ano político-eleitoral. Assim, igualmente como ocorre em todas as disputas eleitorais, a sua vitrine de exposição terá a ilusão e o faz-de-conta como dois dos produtos à venda. Os mais badalados. Isto porque eles aparecerão, como sempre, atrelados diretamente aos candidatos. Estes que também são e serão produtos, e, como tal se destinarão ao marcado, cujos consumidores são os eleitores, os quais são e serão bombardeados com frases de efeitos, palavras vazias e promessas que jamais serão cumpridas. O curioso de tudo - para não dizer aqui outra coisa - é que os políticos-candidatos se apresentarão como organizadores do caos, solucionadores dos problemas existentes. E, então, no palanque eletrônico ou não, escancararão seus baús de promessas e de soluções. Quase iguais ao homem da cobra (antes, no século XIX, homem da cobrança), com falações e discursos intermináveis, com o fim de produzirem o efeito de um mantra hipnótico no eleitorado, a exemplo de algumas cobras, as quais são supostamente capazes de paralisar suas presas.

É mais ou menos isto que eles, os futuros candidatos, tentarão fazer no horário eleitoral de rádio e de TV. Apresentar-se-ão e falarão como especialistas de tudo, ainda que de nada saibam. Prometerão acabar com os entraves da educação escolarizada, diminuirão os índices percentuais da violência e resolverão os problemas da saúde. Pois dirão: "Não falta dinheiro. Falta gestão". Frase antiga. Reprisada e retirada de um script velho, não apenas no sentido de tempo, mas também de surrado e carcomido, que o marketing tentará vendê-la como novo. Embora já usada no passado, justamente por quem hoje não é tido mais como capaz de resolver os problemas, e que, por seu turno, alega falta de recursos, em razão da crise. Crise que atrapalha. Não para os políticos-candidatos. Estes criticarão o atual governo, apontarão os desacertos e, por fim, anunciarão as soluções dos problemas da saúde, por exemplo.

Aqui, (e) leitor, cabe uma pequena observação: nenhum deles será capaz de mudar por completo o atual retrato da saúde. Não mudará porque jamais enfrentará realmente a origem ou o nascedouro do quadro de problemas. Quadro, no entender desta coluna, que se sustenta por três colunas: (1) a saúde como mercadoria de alto valor, (2) ausências de planejamento dos gastos e de programação das ações voltadas à saúde pública, (3) interesses particulares dos empresários da saúde infiltrados na pasta da saúde pública (interesses particulares que vão desde as fraudes nos números de atendimentos, com o fim único de aumentar os ganhos, até a ingerência na coisa pública).

Colunas que deveriam ser demolidas. Para tal tarefa, não basta apenas dinheiro, mas sim vontade, coragem e independência de ação. Três qualidades que dificilmente são e serão encontradas nos políticos brasileiros. Inexistência que impede o fortalecimento do SUS - o maior instrumento da saúde pública do país, porém ainda não colocado de fato em prática. Sua viabilidade ou praticidade (a do SUS) igualmente depende do enfrentamento e demolição daquelas colunas. Como tal demolição se encontra fora de cogitação (é uma pena), e o político com aqueles predicados não existe, a saúde pública no país, e não apenas em Mato Grosso, continuará tendo o mesmo retrato, ainda que se aumente a quantia de dinheiro. Infelizmente. É isto.

Lourembergue Alves é professor e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço aos domingos. E-mail: lou.alves@uol.com.br.

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