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07.02.2018 | 00h00

Lei dos colaboradores do nazismo

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Na Polônia mais de seis milhões foram assassinados pelos nazistas. Tal fato horripilante matou judeus e não judeus. Tudo com fito de limpeza étnica e de germanizar a Polônia. Além de levar o polonês empobrecido à condição de escravo nazista.

Aos milhares, após a ocupação nazista, sucumbiram os intelectuais, religiosos e mais abastados em campos de extermínio, cujos principais eram: Auschwitz, Treblinka, Sobibor, Belzec, Chelmno e Maidanek.

Vale lembrar que a história não pode ser reescrita contra fatos, mas o Parlamento da Polônia aprovou, nesta quinta-feira (1º), lei absurda que penaliza com até três anos de prisão qualquer referência à cumplicidade polonesa no Holocausto.

Tentativa ignóbil de misturar vítimas do nazismo com os colaboracionistas. E ocultar os que apropriaram das riquezas das vítimas do nazismo.

Aqui são dois inimigos dos poloneses, um derrotado em 1945 (nazistas) e outro fazendo desgraças até a década de 80 (comunistas). São 95% de mortos civis, no período entre 1939/1945. Metade de judeus.

Apenas 10% dos 3,3 milhões de judeus, que viviam na Polônia conseguiram se salvar dos matadouros.

Os nacionalistas foram caçados tanto por alemães, quanto soviéticos. Stalin em 1939, por exemplo, mandou executar mais de quatro mil oficiais polacos, que haviam caídos nas mãos do Exército Vermelho, cujos restos mortais foram encontrados em valas comuns em Smolensk.

Não se pode esquecer, ainda, que cada nazista morto pela resistência polonesa tinha cem reféns inocentes (civis) executados.

Tropas soviéticas já nas margens do rio Vístula assistiram, por ordem de Moscou, de maneira acovardada, a luta de 63 dias de combates entre os poloneses e os nazistas com saldo de 200 mil polacos mortos.

Varsóvia foi a cidade mais destruída pelos nazistas.

Tal lei esdrúxula reabre somente antigas feridas.

Acha, o atual governo polonês direitista, que a resistência ao nazismo e ao comunismo. E os mortos, principalmente de Varsóvia, são insultos à reputação polonesa.

Nova revisão indecente do Holocausto.

O mundo civilizado está pasmo. Lembrar de atrocidade evita a repetição do poder absoluto e destrutivo a qualquer pretexto.

O preço da liberdade é a eterna vigilância, que nos protege contra carnificinas e ditaduras, que se reciclam e desejam retornar à cena política.

Após decantar a história, não resta nada que denigra vítimas e países que sofreram o julgo cruel. Dizer o que se sofreu e quem morreu não pode ser considerado crime nacional. Debater motivos dos assassinatos e quem apropriou das riquezas alheias não pode ser caracterizado como delito penal.

A defesa da liberdade de expressão e democracia exige que não se vingue tal trapaça legal.

Depois de quase 80 anos do nazismo nada precisa ser reescrito, mas sim melhor divulgado para que qualquer nova geração não se sinta tentada a repetir erro e desumanidade.

Hélcio Corrêa Gomes, advogado.

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