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30.01.2018 | 00h00

Machismo das Fêmeas - II

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A palavra "assédio" tinha uma vida pacata perdida entre milhares de verbetes dos dicionários. Vez ou outra era chamada para colaborar na definição de alguns atos, o que fazia com sisudez e competência, dando clareza às frases e sentenças.

Fiel à sua origem e preservando o significado primeiro, sempre compareceu para significar o ato de cercar ou sitiar alguma coisa que se quer conquistar (cerco militar por exemplo), pois este é o principal sentido que os dicionários lhe dão.

Também sempre teve relevante uso auxiliando a linguagem, agora figuradamente, significando importunação repetida ou perseguição continuada. Nessas circunstâncias lá vem ela explicando que perseguições, humilhações e ofensas recorrentes são, juntamente com o citado cerco, legítimos casos de assédio.

Mas aí para tristeza de nossa personagem, alguém inventou de usá-la na formação "assédio moral" para nominar um montão de coisas que acontecem no dia a dia das pessoas, principalmente no ambiente de trabalho.

Nesse caso, penso que ela participa a contragosto, porque sempre foi objetiva e rigorosa nas definições e agora, transformada em palavra ônibus, carrega significados vagos e inconsistentes. Por certo ela prefere que este impreciso "assédio moral" seja trocado por perseguição, desrespeito, opressão, humilhação, ofensa ou difamação, palavras mais exatas e que todos entendem.

Se já não bastasse a deturpação acima, há mais ou menos dois anos o "assédio" proliferou descontroladamente na mídia brasileira e mundial, porque as feministas, dizendo falar em nome de todas as mulheres do mundo, passaram a usá-lo insensatamente, transformando-o em um chavão recorrente.

O movimento (feminismo) que vinha perdendo o brilho e o charme pegou alguns condenáveis casos bem caracterizados de assédio sexual no meio artístico e fez uma releitura (expressão cara aos intelectuais e artistas ) do seu significado, esquecendo que a palavra só se aplica em algo que seja constrangedor ou importuno, desde que repetido mesmo com a contrariedade manifesta da vítima. Qualquer outra atitude, ainda que grosseira ou desrespeitosa, sendo isolada, não caracteriza assédio.

As feministas adoraram os recentes escândalos sexuais do cinema, da política e da televisão para justificar o reinício de uma onda de protesto, que culminou com o episódio das artistas vestidas de preto na entrega do prêmio "Globo de Ouro 2018".

Só não esperavam as protestantes, que outras artistas, entre elas Brigitte Bardot e Catherine Deneuve, fizessem um contraponto ao entusiasmo juvenil, jogando um balde de água na fervura. Afirmaram as veteranas que muitas mulheres fizeram o jogo da sedução para conseguir papéis importantes e depois de conquistar fama denunciaram os que elas mesmas seduziram.

Não se pode negar que o movimento feminista conseguiu coisas extraordinárias para as mulheres, entre eles o direito de votar, a independência e a liberdade de trabalhar em qualquer profissão. Só que agora, pegando a antiga balda dos machos, que se compraziam em dominar as fêmeas, incorporaram o defeito que combatiam. Dizendo falar em nome do gênero feminino, quando de fato representam uma meia dúzia de fanáticas, querem as líderes ditar regras para todas as mulheres e submeter os homens à cartilha de bons procedimentos que criaram.

Depois de tanto feminismo agora querem ser machistas. Ao se portarem como Machos Alpha (aqueles que mandam no bando), sem se darem conta estão ressuscitando a extravagante tese freudiana de que as mulheres têm inveja do pênis.

Renato de Paiva Pereira é empresário e escritor. Email: renato@hotelgranodara.com.br

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