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30.01.2018 | 00h00

Não ser corrupto é obrigação

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O eleitor brasileiro quer candidato honesto, ponto! Pode parecer óbvia a afirmação, mas não são todos que pensam assim. Para muitos, o nível de descrédito já chegou a um nível tão grande que afirmam pouco se importar agora com o rumo da política no país, que "pior que está não pode ficar". Pior que pode, sim, e muito! E é aí que o sentimento de cidadania nacional deve falar mais alto e se sobrepor ao desânimo da população frente ao cenário político tão desestimulante no Brasil. É hora de agarrar o touro pelos chifre outra vez!

Em meados do mês de janeiro um levantamento realizado pela Ideia Big Data para o Brazil Institute do Wilson Center e publicado em um jornal de circulação nacional, revelou que 72% dos eleitores brasileiros escolheram temas relacionados à honestidade como prioridade na hora de votar em seus candidatos às vagas de deputado e senador.

A pesquisa que foi norteada com perguntas abertas mostrou que 38% dos entrevistados apontaram a honestidade como quesito mais importante na hora de escolher um candidato. Depois, com 13% de indicações, apareceu a transparência, 11% disseram que bastava o candidato estar fora de qualquer acusação dentro da Operação Lava Jato e 10% que o candidato precisa ser novo ou militar em qualquer área fora da política.

É interessante refletir o resultado de uma pesquisa que, como um longo fio, tem de um lado da ponta números que chegam a ser animadores, mas que ao final, já no outro lado da ponta, quase a mesma porcentagem de pessoas - no caso da pesquisa -, afirmando não se lembrarem em quem votaram nas últimas eleições.

Na contramão do que desejam os brasileiros que participaram desse levantamento, revelando seus critérios de seleção para a escolha de seus candidatos, 79% dos entrevistados disseram não se lembrar em que votaram em 2014 e 85% não acompanharam o trabalho do congressista que ajudaram a eleger. Apenas 21% dos entrevistados se lembraram em quem votaram, e 15% disseram ter acompanhado nesse período o trabalho dos legisladores eleitos.

Virtudes como a honestidade, transparência e ética não vão se tornar realidade, nem tampouco se materializar apenas porque são desejos revelados dos eleitores brasileiros, se não houver de fato um movimento interno de mudança dentro de cada um. Não só dos pretensos candidatos mas também de quem os elege. A decadente trajetória de corrupção e desmando da qual a nação foi vítima nos últimos anos é mais que um divisor de águas para que as eleições de 2018 tomem fôlego novo. Mas também não para por aí.

É preciso escolher bem, votar bem para eleger corretamente. E depois, acompanhar, questionar, cobrar e fiscalizar, todo o tempo. Dá trabalho? Dá sim, mas é a única maneira de o "lado de cá" se manter vigilante e atuante no processo eleitoral, que, ao contrário do que muitos pensam, não termina com o imprimir do dedo na urna eletrônica.

Em tempo: Não ser corrupto não é uma qualidade, é mais que uma obrigação!

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