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12.06.2018 | 00h00

Nem trabalho e nem abandono

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Neste momento milhares de crianças, adolescentes e jovens brasileiros deveriam, no mínimo, estar cursando uma escola de boa qualidade, sendo preparados para assumirem suas vidas de forma digna e respeitosa. Deveriam estar se alimentando bem, se vestindo bem, habitando lares estruturados, se divertindo, criando e sonhando. Deveriam sobretudo, se sentirem protegidos, motivados, orgulhosos e seguros no país em que vivem. Mas não, desesperançados, apenas dormem para acordar nas condições que o dia oportunizar.

No Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, dados de 2016 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) confirmam que cerca de um milhão de crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, ainda se encontram em situação de trabalho infantil no Brasil.

Segundo os especialistas mais críticos, os 716 mil jovens e crianças que continuam trabalhando para sobreviver, não entraram na contagem da Pesquisa, o que consideram como sendo mais uma violência contra os que por direito constitucional deveriam estar em outra situação.

Enquanto as políticas públicas mal saem do papel, o tempo passa e os grupos de risco aumentam em todo país. A frase é redundante, mas necessária: "já passou da hora de erradicar o trabalho infantil", seja no Brasil ou em qualquer outro país do mundo. A situação é crítica e as estratégias de reparação ou de prevenção parecem continuar criando raízes sobre as mesas das instâncias governamentais. Até quando?

Talvez até quando cada um de nós verdadeiramente se comprometer com o país! Quando não comungarmos mais com os absurdos que avalizam, por exemplo, meninas e meninos permanecerem fora da escola, sem informação, sem educação, longe de tudo aquilo que poderia elevá-los intelectual e moralmente, porque são pobres, são negros, nasceram na zona rural ou porque devam seguir como sobrevida, o mesmo caminho conquistado "a unhas" por seus pais e mães, perpetuando assim o ciclo vicioso da pobreza humana em todos os seus aspectos.

Talvez o dia em que pararmos de reproduzir e fortalecer as falas irresponsáveis de um sistema econômico e social severo que nos mantêm na zona de conforto. Falas diárias que reforçam nessas crianças e adolescentes a crença de que é assim mesmo, que não tem outro jeito, que é melhor estarem trabalhando que "fazendo coisa errada" na rua. Não, não é assim, não!

O correto é que estejam estudando, produzindo, vivendo cada etapa de suas idades como precisam viver, crescendo e se desenvolvendo como homens e mulheres de bem que se aceitam, se acolhem, que se estimam e que veem um futuro esperançoso bem à frente. Mas para isso os governos também precisam cumprir o que lhes cabe enquanto gestores da nação.

Dói saber que a recorrente falha do mundo adulto, há décadas, respinga como ácido nos corpos desvalidos de milhares de brasileirinhos que acabam por não conseguir romper o ciclo da pobreza.

No Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil que bom seria poder começar por nós, revertendo os números divulgados no ano passado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Secretaria de Trabalho e Assistência Social de Mato Grosso, quando foram confirmados 1.189 casos, envolvendo 585 meninos e 604 meninas de até 14 anos. Fora o que não passou e que continua não passando pelos registros oficiais.

Daqui a dois anos termina o prazo que o Brasil se comprometeu em 2006, junto à Organização Internacional do Trabalho (OIT), de erradicar não só as piores formas de trabalho infantil, mas também, de eliminar todas as outras formas existentes. Infelizmente não é o que estamos assistindo.

Criança precisa de educação, de proteção e não de trabalho precoce travestido de salvo-conduto contra uma possível marginalidade.

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