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09.08.2018 | 12h36

Obesidade e a eterna caça por um vilão

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Os dados epidemiológicos alarmantes publicados pela OMS em 2014, revelando que 61% dos adultos, em todas as Américas, têm sobrepeso ou obesidade e que 20 a 25% das crianças e adolescentes, de 0 a 18 anos, latino-americanas estão na mesma condição, têm provocado uma busca incessante por mecanismos de controle deste grave problema de saúde pública.

Não obstante à dramática situação, estratégias equivocadas e simplistas para encontrar um vilão a ser responsabilizado, têm retardado a implementação de medidas mais efetivas e distraído a atenção da população do foco da questão.

Recente trabalho publicado em 04 de junho deste ano, no American Journal of Epidemiology, conduzido por importante grupo de pesquisadores de renomadas universidades americanas, revelou conclusões relevantes sobre a associação entre consumo de açúcares e o risco de Diabetes e Doenças Cardiovasculares.

A pesquisa concluiu que quando, além dos questionários de recordatório alimentar, foram usados testes laboratoriais para estimar, de forma mais objetiva, o consumo de açúcares simples (frutose e sacarose), não foi possível observar uma associação entre o consumo total e a Diabetes tipo 2 e risco para Doenças Cardiovasculares.

Da mesma forma este mesmo grupo de pesquisadores revelou em outra publicação, no American Journal of Clinical Nutrition em 2011, que o consumo excessivo de proteínas está associado a um maior risco de desenvolvimento de diabetes, por um mecanismo outro de acúmulo de gordura no corpo.

Este conjunto de informações mostra que grande parte das recomendações atuais se baseia em estudos cuja associação entre consumo de açúcares e risco de Diabetes tipo 2 e Doenças Cardiovasculares derivam de metodologias frágeis para estimar o real consumo de alimentos. Tais fatos, talvez sejam responsáveis por estes resultados contraditórios e conflitantes.

Com isto, o que podemos concluir é que as diretrizes atuais para prevenção ou retardo do aparecimento do Diabetes tipo 2 continuam fundamentais e incluem, para indivíduos com sobrepeso e sinais de risco, perda de peso corporal de 5% a 10% e aumento da atividade física moderada para 150 min por semana.

Os resultados atuais da pesquisa mostram que, continuam prevalecendo as recomendações de uma atenção crescente para monitorar a ingestão total de alimentos e o tamanho das porções consumidas. Em outras palavras, o que faz sentido, na luz do conhecimento atual, é observar a dieta como um todo, comer de forma diversificada e com moderação. Não havendo evidências científicas robustas para culpar este o ou aquele determinado componente da dieta como o responsável pela crescente epidemia de obesidade.

Hugo da Costa Ribeiro é pediatra especializado em doenças metabólicas e infecciosas, Fellow em Nutrologia Infantil pela Universidade de Cornnel em New York e professor Associado do Departamento de Pediatria da FMB da Universidade Federal da Bahia. Também foi consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Ministério da Saúde

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