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12.11.2017 | 00h00

Olhar para onde os jovens olham

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A tecnologia está presente no nosso cotidiano e captura a nossa atenção por ser fascinante. Ela existe por causa da intervenção humana que evolui com o novo tecnológico que nasce de velhas tecnologia. Essa evolução acontece por que a tecnologia como cultura muda a forma como usamos essa tecnologia e isso causa constante aprimoramento da máquina. Dessa forma, a tecnologia é um produto da indústria da cultura como é também objeto dessa cultura. Através dela podemos assistir como intervir e até criar conteúdo. E por meio dela podemos construir novos significados e criar formas de olhar e criar novos caminhos para o futuro.

Os meios de comunicação e as tecnologia estão enredados na nossa vida e a grande mudança é que antes as tínhamos de forma separadas, sendo assim era um aparelho de TV, o rádio, as mídias sociais, as redes sociais cada, qual na sua própria apresentação de formato de mídia que hoje convergiram para um só aparelho, o celular. Isso significa dizer que carrego e tenho como atuar sobre essas mídias. Isso é a cultura da convergência.

Esta cultura está presente hoje no novo comportamento do uso do celular. Enquanto nós utilizamos para resolver problema, o jovem o utiliza para avançar e criar seu novo mundo. Ele faz isso de forma compartilhada e por meio de um processo colaborativo que, a princípio, individualiza mas, ao mesmo tempo, lhe dá acesso a um novo mundo tecnológico magnífico e totalmente ilimitado de conhecimento. É preciso estar próximo deles para conhecer o futuro de significado que estão vislumbrando e criando nesse mundo virtual.

As mídias nos ensinam o que e como consumir. Podemos pensar nisso olhando para a moda, que é totalmente provisória. Isso é conhecido como ideologia do mercado, o criar para ser consumido. Além disso, nós mesmo compramos a mídia quando dedicamos a nossa atenção a determinada peça. Dessa forma, nós consumimos a mídia e, ao mesmo tempo, ela nos consome pelo tempo que nos dedicamos a ela. O consumo é destruir o bem para construir o significado. Voltando ao exemplo da moda, a roupa em si não é importante, o importante é o que significa estar com aquela roupa. Esse significado nós construímos olhando para nós mesmos e olhando para o outro. Ou seja é, ao mesmo tempo, comportamento individual e coletivo.

Retórica é uma dimensão das mídias. Quando postamos algo na nossa rede, estamos tentando persuadir e influenciar o nosso grupo de amigos. Isso não acontece somente na propaganda, por meio dos veículos comerciais. Quanto mais performática e rica for a criação do produtor de conteúdo, mais persuasivo ele consegue ser. Mas ele não conseguirá essa mesma performance se não transmitir confiança aos seus seguidores e fãs. A confiança determina no nosso senso de pertencimento a determinado grupo. Por isso precisa ser mantida, alimentada e, muitas vezes, quando necessário, resgatada. Ele é extremamente importante nesse novo mundo tecnológico em que estamos vivendo.

A mídia oferece um prazer fácil e acessível mas, muitas vezes, não conseguimos materializá-lo e vive-lo em sua plenitude. Nossas sensações e desejos são coisas nossas e raramente discutimos o que pensamos. Sendo assim, neste mundo midiático, somos atraídos por aquilo que nos agrada e nos dá prazer. Por isso, é importante estar próximo dos jovens para descobrir o que lhe agrada e o que lhe atrai dentro deste mundo, para assim contribuir para a construção do significado de mundo que ele está criando.

Desde os primórdios o ser humano já contava histórias. Antes os grupos se reuniam na beira da fogueira para contar e ouvir histórias que foram contadas por inúmeras gerações. Contar história ou recontar histórias é a mesma coisa que renovar a cultura, estar em uma relação de pertencimento. Elas podem ser públicas como as jornalísticas ou privadas, específicas de cada um. A história só vive se ela for contada e exige imaginação e audiência do público que reage de alguma forma a elas como, por exemplo, postar uma opinião nas redes sociais sobre o que ouviu. É através das histórias que criamos o mundo em que vivemos. Uma pergunta que fica é: quais são as histórias das quais nossos jovens estão participando, criando, contando e turbinando por meios dos seus aparatos tecnológicos?

Precisamos questionar e mediar para criar contextos e significados dessas histórias. Mediar é estar em uma relação com a realidade. Ela é uma experiência, uma interpretação do mundo e está presente em todo o processo midiático. É preciso aprender a dialogar com o jovem e estar enredado nessa cibercultura onde ele está presente. Ou simplesmente, olhar para onde os jovens estão olhando.

Luiz Vicente Dorileo da Silva "SHIPU", palestrante, consultor formado em administração com MBA Executivo Internacional e especialista em Marketing. shipumt@hotmail.com

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