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27.01.2018 | 00h00

Os "com" e os "sem"

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Em alta, o jogador brasileiro vê crescer sua cotação no mercado mundial. Só dois deles, Neymar e Phillipe Coutinho, custaram aos seus atuais clubes (Paris Saint Germain e Barcelona) um total de 380 milhões de euros ou quase 1 bilhão e meio de reais.

Um valor quase imensurável para quem, cuja renda mensal se limita a dois salários mínimos (trocando em miúdos, o grosso da população nacional). É quem, enquanto frequenta o bolixo próximo à casa, alternando uma cerveja consoante com o seu bolso e uma "marvada" para amortecer a alma, sonha, quem sabe, sobre como seria se fosse ele o ídolo da vez.

Talvez nem se dê conta de que, embora o custo de ambos os jogadores seja surreal em qualquer situação, há valores centenas de vezes superiores a este nas mãos de uma só pessoa. Como o empresário Jeff Bezos, do Amazon, cuja fortuna chegou a R$ 333 bilhões (ou US$ 106 bilhões) em 2017.

Preocupado com o fim do mês que está chegando e com o dinheiro que não rende, é quase certo que nem perceberá que, enquanto sua renda cresceu minguados 2,9% entre 2017 e 2018 (percentual do reajuste do salário mínimo no período), a economia brasileira foi generosa com alguns escolhidos por Tique, a deusa grega da fortuna.

Além de propiciar o surgimento de 12 novos bilionários em 2017, ainda os presenteou com um rendimento de 13% em sua (deles) fortuna, cujo total (R$ 549 bilhões) equivale ao faturado pelo futebol em todo mundo em 2014, ano da desastrosa Copa realizada no Brasil. Enquanto isso, o PIB cresceu 1,1% no período, segundo as estimativas.

Refletir, então, por que apenas cinco desses bilionários brasileiros possuem um patrimônio igual ao da metade mais pobre da população, nem pensar. Quanto mais saber que 2017 foi o ano de maior aumento no número de bilionários da história mundial, com quase um novo a cada dois dias?

Riqueza nem sempre oriunda do empreendedorismo, como atestam os paraísos fiscais, onde são camuflados cerca de 7,6 trilhões de dólares, não detectados pelos fiscais de seus países de origem. As informações baseadas são da ONG britânica Oxfam, divulgadas no início desta semana. Para entender - Será que o pau que ainda bate em Chico vai, um dia, bater em Francisco ou a casa grande se manterá intocável, com licença para tudo, sem dar a mínima para esse negócio de imagem perante o mundo? Tá dando vergonha alheia!

Jairo Pitolé Sant"Ana é jornalista em Cuiabá, sócio da Coxipó Assessoria de Imprensa. E-mailcoxipoassessoria@gmail.com

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