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19.11.2017 | 00h00

Pensamento enviesado

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Posicionar-se diante de quaisquer situações é um ato político. Isto é imprescindível ao viver democrático. Pois este viver jamais seria possível sem o manifestar-se e o opinar-se. Esta condição não é outra senão a maneira de apresentar-se em público, de revelar-se e dizer quem és. O que realça a relevância da liberdade, a qual só se revela (a sua ausência também) quando se está em contato com outrem, e no espaço público. Todos sabem disso. Mesmo assim, ainda existem aqueles que preferem ignorar tudo isso, e os fazem com a ideia fixa de divisão da população do país entre os contra e os a favor do governo. Eles querem, de qualquer maneira, transformar ou o município, ou a unidade, ou o Estado em uma grande arena, onde as pessoas estejam acomodadas na arquibancada, com o comportamento de torcida "A" e torcida "B". Esta ideia de divisão e a condição de torcedor são contrárias à democracia, são próprias de uma mente estúpida, que procura a todo preço rotular quem pensa diferente, e não sabem que a mesma mão que aponta os desacertos deva ser a que aponta os acertos de um dado governo.

Inexiste um governante que só acerta, assim como outro que apenas erra. Identificar os erros e os acertos de uma dada gestão é igualmente o papel do eleitor. Muitíssimo mais de quem se coloca como estudioso do jogo político-eleitoral. E isto jamais pode servir para colocá-lo como defensor do governo "A" ou do governo "B", simplesmente porque ele, o estudioso, apresentou obras significativas na administração de um ou do outro.

Aliás, o governo Silval Barbosa, muito criticado, inclusive por ter desviado dinheiro público (confessado pelo próprio ex-governador), teve programas relevantíssimos, a exemplo do "MT Integrado", que visava ligar quarenta e quatro municípios a Capital, via asfalto. Tão relevante que o atual governador achou por bem mantê-lo, embora tenha cometido o erro de trocar o nome do programa. Trocar o nome para simplesmente desqualificar a gestão passada. Esta estratégia de desqualificação do adversário e gestor anterior é antiga e bastante utilizada. Utilizada também pelo prefeito Mauro Mendes, que mudou o nome do programa de pavimentação de ruas dos bairros cuiabanos da gestão Francisco Galindo, até para poder chamá-lo de seu. Ou alguém dúvida que o Programa "Novos Caminhos" (Mendes) nada tem a ver com o "Poeira Zero" (Galindo)? Duvida, então deveria pensar melhor! Pois "Novos Caminhos" e o "Poeira Zero" se referem a um único programa de asfaltamento dos bairros de Cuiabá. Isto significa dizer que a gestão Galindo teve o seu acerto, assim como também o Mauro Mendes, com o Parque das Águas e a revitalização do Porto (apesar dos defeitos das duas obras). Além disso, já é possível identificar acertos do prefeito Emanuel Pinheiro, a exemplo da retomada das obras inacabadas de seu antecessor, tal como dois Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), nos bairros Recanto do Sol e CPA III. Prefeito, igualmente como os demais prefeitos e o atual governador, cometeu seus desacertos.

Identificar esses erros e acertos de uma dada gestão faz parte da tarefa do estudioso do jogo político-eleitoral. E não é, por conta disso, que ele deve ser rotulado de defensor do governante "A", contra o "B". Isto parece óbvio. Mas o óbvio dificilmente pode ser percebido por todos, muito menos por aqueles que insistem em dividir as pessoas em contrárias ou favoráveis a determinado governo. Insistência equivocada e antidemocrática. É isto.

Lourembergue Alves é professor e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço aos domingos. E-mail: lou.alves@uol.com.br.

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