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12.11.2017 | 00h00

Perdoar é preciso, viver não é preciso

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Trata-se aqui de precisão. E nesse sentido viver nada tem de preciso, de exato, de matemático. Ao contrário, viver é se entregar todos os dias a novas experiências, e incontáveis desafios. Perdoar sim, é preciso, como dois e dois são quatro. Porque quem perdoa se vê livre das amarras do sofrimento. A ciência e a medicina também há algum tempo se debruçam em estudos que demonstram resultados bastante promissores. Quem consegue exercer o perdão, segundo ambas, está imune ao acúmulo de compostos nocivos gerados por exemplo pelo rancor e pela mágoa, tão nocivos aos sistemas nervoso, imunológico e ao coração. E por consequência, desencadeia reações desejadas para a manutenção da saúde, do bem-estar e do controle das doenças.

Na esteira desse pensamento, a imprecisão da vida está intimamente ligada à prática do perdão em milhares de situações que precisam ser enfrentadas diariamente por todos nós, independentemente de onde aconteçam. Tem sido assim há no mínimo dois mil anos, quando enquanto humanidade ouvimos pela primeira vez a falar sobre o amor.

Como é agora um grande desafio para as famílias de Goiânia, vítimas da tragédia que se abateu sobre elas, quando um aluno de 14 anos, abriu fogo contra os colegas, no caso seus filhos, na manhã da sexta-feira (20), numa escola particular da cidade. Como é agora, também, para os pais e para a família desse jovem atirador, que declarou em depoimento ter construído essa ação mentalmente, durante seis meses inspirado nas tragédias americanas de igual teor, divulgadas na internet, por ser vítima de bulling na escola.

Numa rede social a mãe de uma das vítimas que supostamente seria um dos que praticava o bulling e que veio a óbito, pede que as pessoas não julguem seu filho! Em outras entrevistas, pais declaram perdão ao garoto, mas culpam os pais dele, ambos policiais militares pelo filho saber manusear uma arma. Adolescentes que sobreviveram ao ataque, aos poucos vão externando suas opiniões que variam entre a raiva, o perdão e o medo. Enfim, olhares atônitos com angulações diferentes, para um mesmo caso, mas todos, sem tirar nem por, costurados pela dor da perda, pela fragilidade da vida e pela mão da tragédia.

O momento pede calma, pede reflexão. Pede sim, um olhar para o céu e pede também, um pisar firme no chão. E não sejamos nós aqueles a colocarem intencionalmente a lenha que falta à fogueira dessa grande dor. Dor que ora se abate pelas bandas de lá, mas que não torna ninguém imune, às bandas de cá. Essa é a grande imprecisão da vida!

Para além das orientações religiosas, acadêmicas ou científicas que sugerem os benefícios da prática da indulgência, existe uma questão primeira, a de foro íntimo, aquela que será para sempre, pessoal e intransferível. Mas é possível começar!

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