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05.12.2017 | 00h00

Politicamente correto, sim!

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Em tempos onde as ideias e os conceitos se tornam virais de forma instantânea, cresce a responsabilidade do cidadão - quer ele queira, quer não - com tudo o que escreve e fala publicamente. Já não cabe mais admitir que pessoas cruéis, preconceituosas e intolerantes saiam por aí, atacando, perseguindo e incitando a violência contra raça, gênero, credo, condição física de todos os matizes, entre outros. Por isso, volta à tona a necessária discussão sobre o que é politicamente correto numa sociedade que se diz democrática, laica e tolerante.

Não são poucos os avessos a essa expressão, chamando-a pejorativamente de "a praga do politicamente correto", como se o ato de pensar e refletir antes de falar e agir, fosse um cerceamento à liberdade de expressão. Alegam esses, que a padronização da linguagem de algumas expressões que definem opções e segmentos é o se pode chamar de "cala boca" para quem se considera extremamente franco. E mais, chegam a defender que o politicamente correto corrói as relações sociais. Como assim?

Há poucas semanas uma menina africana, adotada por um casal de artistas foi gratuita e violentamente atacada numa rede social por uma brasileira que mora nos Estados Unidos. A brutalidade das expressões usadas pela tal "socialite" - vale ressaltar que é crime -, ganhou a mídia nacional e internacional gerando tristeza, revolta, indignação e, claro, providências jurídicas por parte dos pais.

Ignoram esses cidadãos que a cultura do respeito às minorias e aos excluídos, passa também pela linguagem. Diz o dito popular que "costume de casa vai à praça". Se em casa é assim que os pais se expressam, de forma cruel, mesquinha, intolerante, preconceituosa e violenta diante de seus filhos, a respeito de uma determinada situação, é assim que ela será reproduzida por eles, na escola, nos centros de convivência, nas ruas, na internet; enfim. Afinal, estão avalizados por aqueles que têm o dever moral de educá-los e de mostrar-lhes o caminho do bem, da ética, da retidão e do amor.

E se não cuidarmos, as expressões politicamente incorretas continuarão insistindo em ganhar corpo e forma na sociedade, erguendo muros cada vez mais altos ao invés de pontes cada vez mais extensas entre as pessoas. "É preciso estar atento e forte", compôs Caetano. A linguagem rotula, o rótulo estigmatiza e o estigma gera sofrimento e dor.

A discriminação não é uma brincadeira, muito menos de mau gosto, sem maldade. Porque brincadeira envolve a participação e o comum acordo entre todos os envolvidos, e o achacamento moral não acontece assim. É vil, cruel, desatinado e não tem limites se assim continuarmos permitindo.

Se o que sai da boca do homem é o que flui do seu coração, já passou da hora de cuidarmos do que estamos semeando em nós. O mundo cristão celebra o advento e se prepara para a chegada do Natal. Nesse clima de renascimento, que bom seria se a mentalidade tacanha do homem velho, desse lugar ao frescor amoroso e cheio de esperança do homem novo, em cada um de nós.

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