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20.11.2017 | 00h00

Queremos entender

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De há muito me instiga a não coincidência entre os anseios do povo e as atuações de parlamentares, de quem, espera-se, de ofício, legislar segundo as necessidades populares. Vejamos algumas descoincidências (com licença de Manoel de Barros): quem se dispuser a cancelar um simples cartão de crédito verá o suplício que é não ser atendido pelas operadoras. O Procon sempre informa serem campeões incontestes de reclamações, por parte da população, as operadoras de telefonia. Os planos de saúde praticamente fazem o que querem com os clientes.

Não é razoável aceitar que nós queiramos ser tratados dessa maneira, como populacho, andar de baixo e outros adjetivos desqualificativos que se aplicam aos despossuídos. Aplicados, mas não aceitos. Aplicados e fomentados pelas ações inescrupulosas dos nossos eleitos. Aceitemos que não são todos. Mas não aceitemos o fato de que, ainda que, minoria sejam, não podem ter forças para definir a vida de nós outros que trabalhamos de sol a sol passando pela noite.

Pois, nos exemplos acima, basta que se tome tão somente a ida ao Procon para vermos o transtorno de quem deixa seus afazeres, família, para reclamar de um direito seu, que deveria ser sagrado em se tratando de um estado democrático de direito. Pois o cidadão é o átomo mais importante da substância social de que se compõe o pais.

Não é o cidadão A ou B ou classe A ou B ou D ou Y. É tão somente o cidadão pleno de direitos e cônscio de seus deveres como é a esmagadora maioria do povo brasileiro. É deprimente ver e ouvir do que é capaz nosso Parlamento, melhor, nossos parlamentares, mormente os que ocupam cargos de presidente das casas legislativas e lideres de governos, além de integrantes do executivo tais como presidente e ministros.

Pelo que se depreende de notícias correntes e de informações de delatores, transformaram-se praticamente em offices boys de luxo, pois faziam (fazem?) projetos de lei e emendas orçamentárias além de indicações de isenções fiscais que beneficiavam (beneficiam ainda?) grandes grupos pseudoempresariais. Pseudo porque pelas amostras postas até agora, só são e se tornaram grandes grupos, porque são monstros de mil bocas ávidas das tetas da mátria espoliada. E esta, a mátria, é ajeitada pelos nossos políticos, para que os sugadores se posicionem para mamarem deitados como filhotinhos de suínos.

E o povo onde pode contar com esses representantes para permitir planos de saúde de outros países que, possivelmente barateariam preços, onde alguém para brigar pelo direito de usar e não ser usurpado por companhias telefônicas? Onde alguém para falar para e pelo povo? Que sejam nossos representantes e não despachante de grandes empresas. Aliás o BNDES, banco formado com o meu, com o seu e com o nosso dinheiro é sócio da JBS. Com ordem de quem? Quem foi que admitiu isso? E o senhor cidadão José João do Brasil que quer montar uma serralheria, pode contar com o BNDES? O bolsa família é caro, mas, quanto custa os Geddéis? Existem mais Geddéis? Aliás o Geddel 51 (milhões de reais) tem que dizer de onde vinha e para onde ia essa montanha de dinheiro. E porque era ele o guardião. Ou dono? Ou é ou era de quem? Todos queremos saber. Todos queremos entender.

Elesbão Moreno da Fonseca é engenheiro civil e músico

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