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13.11.2017 | 00h00

Ter armas resolve?

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Uma das principais bandeiras empunhadas pelo pré-candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro, é o fim do estatuto do desarmamento. Ou seja, que todo cidadão - desde que observadas as devidas regras- possa ter o direito a ter uma arma e, assim, se defender da bandidagem crescente. O argumento ganha respaldo cada vez que surgem histórias de "herois" que reagiram a uma assalto ou a uma situação violenta e conseguiram neutralizar o criminoso. É nisto, por exemplo, que se baseiam as ideias do presidente norte-americano Donald Trump. Na semana passada, após mais um massacre a tiros, desta vez em uma igreja, o presidente se esforçou para enxergar uma vantagem no armamento da população civil. Na saída da igreja, após matar 26 pessoas, o atirador foi baleado por um homem que passava pelo local. Antes mesmo da chegada da polícia, este mesmo homem perseguiu o maníaco e, ao que tudo indica, "terminou o serviço". "Se não houvesse uma pessoa armada no local, certamente o atirador conseguiria fugir sem ser incomodado", disse Trump, ao defender que o acesso dos cidadãos às mais diversas armas de fogo. A declaração despreza o histórico trágico de ataques recentes absurdos, incluindo o mais letal de todos, ocorrido durante um show de música country em Las Vegas. Na ocasião, mais de 50 pessoas foram mortas por um homem, que portava 9 fuzis e farta munição em um quarto de hotel. Ele, assim como os garotos da escola Columbine e outros estudantes perturbados em faculdades do país, tiveram muitas facilidades para comprar o armamento. Nos Estados Unidos, o livre acesso a armas é cultural e vem sendo "amadurecido" ao longo de décadas, embora a sociedade local até hoje não saiba lidar de forma adequada com essa liberação toda. E o que dizer do Brasil? com a criminalidade aumentando cada vez mais, estaríamos mais seguros caso andássemos armados por aí? Uma resposta lúcida e surpreendente foi dada pelo coronel da Polícia Militar José Vicente da Silva Filho, em entrevista a um programa de rádio em São Paulo. Quando todos esperavam que o coronel, por ser militar, defenderia a liberação das armas, ele se posicionou de modo contrário. Citou o fato de que, em números atualizados, 118 policiais militares já haviam sido mortos no Rio de Janeiro este ano. E que parte dessas mortes foram registradas em assaltos, por exemplo. "Notem que policiais acostumados a lidar com armas e bem preparados morreram ao tentar reagir à ação de bandidos. Um cidadão comum, sem esse preparo, teria sorte diferente?", questionou o coronel. No Brasil também se percebe um clima de hostilidade permanente em relação a defesa de ideologias políticas, religiosas, esportivas, ou qualquer outro debate. No trânsito, qualquer discussão banal, evolui para a violência. E quando há armas no meio, nada acaba bem. A reflexão que deve ser feita é justamente essa. Se nós, que já fomos considerados um povo pacato e hospitaleiro, estamos cada vez mais com os nervos à flor da pele, como lidaríamos com um arma no dia a dia? A questão é saber se nossa sociedade está preparada para viver armada. Ou melhor, a liberação do armamento ajudaria o Brasil a evoluir? Os países europeus de Primeiro Mundo fizeram incursões por essa via para chegar onde chegaram? São reflexões que devem ser feitas principalmente antes de escolhermos nossos próximos representantes.

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