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29.01.2018 | 00h00

Uma tragédia para o Brasil

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Está sobrando dinheiro no Brasil, essa é a certeza que temos ao vermos o perdão de dívidas bilionárias concedido pelo Congresso Nacional e pela presidência da República. Esse pensamento de orçamento farto também fica claro quando vemos R$ 1,716 bilhão destinados para um fundo eleitoral, o tal Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), que vai custear as eleições de 2018.

Mas essa não é a realidade da ciência e tecnologia Brasileira. Após ter o orçamento contingenciado no ano de 2017, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), tem agora na Lei Orçamentária de 2018 (LOA 2018) - sancionada no início de janeiro pelo presidente Michel Temer - um orçamento geral previsto de R$ 12,7 bilhões, 19% a menos que o valor sancionado na LOA 2017. É isso mesmo, o que já era pouco ficou ainda menor.

Mas onde é usado o dinheiro da ciência e tecnologia? Os programas de mestrado e doutorado, os grupos de pesquisa nas universidades, os institutos de pesquisa, todos necessitam de recursos para desenvolver suas atividades. Nas últimas décadas o Brasil tem avançado cientificamente em várias áreas, a agricultura brasileira é um exemplo disso. Então, quando falamos em cortar orçamento de pesquisa, estamos também reduzindo a capacidade do Brasil em competir com outros locais do mundo, onde o ciência e tecnologia são levadas a sério.

Para se ter uma noção da gravidade do fato, a redução do orçamento gerou uma mobilização internacional. Em uma carta assinada por 23 ganhadores do prêmio Nobel, os cientistas afirmaram que o corte danificará o Brasil por muitos anos, com o desmantelamento de grupos de pesquisa internacionalmente reconhecidos e uma fuga de cérebros que afetará, em especial, os melhores jovens cientistas. Mas o que isso influencia na sua vida?

O custo da ciência e tecnologia está embutido em tudo, remédios, eletrônicos, construção civil e até na comida. Se o Brasil não produz ciência, ele paga para importar técnicas, patentes e produtos. Ou pior, não consegue se quer desenvolver algumas áreas, visto que em alguns casos, as técnicas para serem desenvolvidas com maior efetividade precisam considerar uma série de aspectos regionais.

A falta de investimento em ciência e tecnologia possui outro efeito negativo fortíssimo, conforme relatado na carta assinada pelos ganhadores de prêmios Nobel, devido à falta de apoio, ocorre a fuga dos pesquisadores para outros locais no mundo onde é possível fazer ciência e onde o pesquisador é valorizado. É triste, mas temos dinheiro sobrando para algumas coisas no Brasil e faltando para outras áreas tão vitais para o desenvolvimento de nossa nação.

Um dos fatos que mais me preocupa é que esse tema mal foi debatido na grande imprensa, e tampouco repercutiu nas mídias sociais. Uma verdadeira tragédia para o Brasil e para os brasileiros, que está sepultada no silêncio de nossa nação.

Caiubi Kuhn é Geólogo, mestre em Geociências pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

Docente do Instituto de Engenharia, Campus de Várzea Grande, UFMT. E-mail: caiubigeologia@hotmail.com

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