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11.08.2019 | 17h01

Agricultura orgânica é melhor para o meio ambiente?

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Ciro Rosolem

Divulgação

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A agricultura orgânica é moda. Segundo o que se divulga em revistas e jornais de grande circulação, de acordo com os nutricionistas e nutrólogos, consumir alimentos orgânicos vai salvar você e o planeta. Como todas as modas, há verdades e mitos sobre este tipo de prática agrícola. Normalmente, as publicações aparecem com artigos eivados de conceitos errados e meias verdades. Entretanto, um aspecto, extremamente importante, deveria ser mais bem esclarecido.  

 

Os orgânicos não são melhores para o meio ambiente. Ao se colocar, por exemplo, que eles evitam a contaminação em cadeia das áreas agrícolas e dos cursos d’água, se assume que a produção tradicional contamina, o que não é verdade. Agroquímicos, desde que aplicados de acordo com as recomendações técnicas, têm efeito negligível sobre abelhas e não deixam resíduos no solo ou na água.   

 

Entretanto, e principalmente, há um fator fundamental pelo qual a produção orgânica de alimentos é muito pior do que a convencional para o meio ambiente: ela emite muito mais gases de efeito estufa. Portanto, é muito pior em relação ao potencial de aquecimento global.   

 

Vejamos: Primeiro, a agricultura orgânica tem produtividade bem menor que a convencional. Assim, exige mais terra para produzir quantidade semelhante de alimentos e usar mais terra significa desmatar mais. Estima-se que, somente no Brasil, a moderna tecnologia agrícola evitou que fossem desmatados, aproximadamente, 70 milhões de hectares de florestas. Esta é uma área maior que a atualmente explorada para a produção de grãos no Brasil.   

 

Segundo, além de usar mais terra, como a área é maior, a emissão de carbono para a produção, que guarda relação com a área, é também maior. Ainda, quanto maior a produtividade, menor o índice de emissão de gases de efeito estufa, por unidade de produto. Como na agricultura orgânica a produtividade é mais baixa, a pegada de carbono dos produtos é maior. 

 

Terceiro, a agricultura orgânica depende de adubos orgânicos e/ou compostos. Tanto os estercos animais como os compostos são potentes emissores de gás carbônico para a atmosfera. No caso de estercos, a emissão de óxido nitroso, muito mais danoso que o gás carbônico, é grande, em função do que tem urina animal.   

 

Quarto, ao contrário do que se acredita, a agricultura orgânica utiliza sim, defensivos não biológicos. É o caso de defensivos, permitidos e usados, que tem cobre em sua composição, um metal pesado.   

 

E quinto e por último, ao inverso dos produtos da agricultura convencional, em que se usam produtos testados e aprovados por três ministérios, e regularmente são colhidas amostras para monitoramento da contaminação, nada disso ocorre com produtos orgânicos.   

 

Desta forma, a agricultura orgânica tem seu espaço e sua importância para a população. É um nicho de mercado importante para os agricultores. Não precisa de invencionices para ser justificada. A opção pelos alimentos orgânicos não pode ser feita com base em mitos. A agricultura orgânica é moda. Segundo o que se divulga em revistas e jornais de grande circulação, de acordo com os nutricionistas e nutrólogos, consumir alimentos orgânicos vai salvar você e o planeta. Como todas as modas, há verdades e mitos sobre este tipo de prática agrícola. Normalmente, as publicações aparecem com artigos eivados de conceitos errados e meias verdades. Entretanto, um aspecto, extremamente importante, deveria ser mais bem esclarecido.   

Os orgânicos não são melhores para o meio ambiente. Ao se colocar, por exemplo, que eles evitam a contaminação em cadeia das áreas agrícolas e dos cursos d’água, se assume que a produção tradicional contamina, o que não é verdade. Agroquímicos, desde que aplicados de acordo com as recomendações técnicas, têm efeito negligível sobre abelhas e não deixam resíduos no solo ou na água.  

 

Entretanto, e principalmente, há um fator fundamental pelo qual a produção orgânica de alimentos é muito pior do que a convencional para o meio ambiente: ela emite muito mais gases de efeito estufa. Portanto, é muito pior em relação ao potencial de aquecimento global.  

 

Vejamos: Primeiro, a agricultura orgânica tem produtividade bem menor que a convencional. Assim, exige mais terra para produzir quantidade semelhante de alimentos e usar mais terra significa desmatar mais. Estima-se que, somente no Brasil, a moderna tecnologia agrícola evitou que fossem desmatados, aproximadamente, 70 milhões de hectares de florestas. Esta é uma área maior que a atualmente explorada para a produção de grãos no Brasil.  

 

Segundo, além de usar mais terra, como a área é maior, a emissão de carbono para a produção, que guarda relação com a área, é também maior. Ainda, quanto maior a produtividade, menor o índice de emissão de gases de efeito estufa, por unidade de produto. Como na agricultura orgânica a produtividade é mais baixa, a pegada de carbono dos produtos é maior. 

 

Terceiro, a agricultura orgânica depende de adubos orgânicos e/ou compostos. Tanto os estercos animais como os compostos são potentes emissores de gás carbônico para a atmosfera. No caso de estercos, a emissão de óxido nitroso, muito mais danoso que o gás carbônico, é grande, em função do que tem urina animal.   

 

Quarto, ao contrário do que se acredita, a agricultura orgânica utiliza sim, defensivos não biológicos. É o caso de defensivos, permitidos e usados, que tem cobre em sua composição, um metal pesado.  

 

E quinto e por último, ao inverso dos produtos da agricultura convencional, em que se usam produtos testados e aprovados por três ministérios, e regularmente são colhidas amostras para monitoramento da contaminação, nada disso ocorre com produtos orgânicos.  

 

Desta forma, a agricultura orgânica tem seu espaço e sua importância para a população. É um nicho de mercado importante para os agricultores. Não precisa de invencionices para ser justificada. A opção pelos alimentos orgânicos não pode ser feita com base em mitos. 

 

Ciro Rosolem é vice-presidente de Comunicação Científico Agro Sustentável (CCAS) e professor da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”.

 

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