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16.01.2018 | 00h00

Allons Enfants de la Patrie

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Morro de inveja da Argentina. Tenho inveja também da União Soviética de Lênin (que saudades), do Chile de Allende, da China de Mao Tsé Tung, do Paraguai anti-Stroessner, da Cuba de Fidel Castro, da Nicarágua de Sandino, de El Salvador de Farabundo Marti, cujo povo, gritando a frase de Henriques Veja "hacemos la guerra para conquistar la paz", se livrou do impiedoso sistema em que vivia. Tenho inveja também dos povos dos países da Primavera Árabe, dos da Primavera de Praga e do heroico povo guatemalteco pela coragem de enfrentarem ditadores. Tenho verdadeira admiração pelo que fizeram Domitila Chungara, da Bolívia e Che Guevara, o ícone da revolução cubana. Admiro Mandela, Luther King e Zumbi dos Palmares por lutarem incansavelmente contra a discriminação racial em seus países. Bato palmas para a coragem de Marighela e Lamarca, que lutaram até a morte contra uma falsa revolução.

Contra o Imperialismo ou contra o Comunismo todos fizeram verdadeiras revoluções lutando para mudar o quadro social, político e econômico que massacravam seu povo.

O título deste artigo refere-se ao grito de bravos soldados na revolução francesa de 1789: "Allons enfants de La Patrie. Aux arms citoyens", quer dizer: Avante filhos da terra. Às armas, cidadãos. Como consequência dessa revolução, as classes sociais que viviam oprimidas derrubaram a Monarquia Absolutista. Na Argentina, batendo panelas, em dois dias o povo derrubou o presidente da República e o ministro da Economia. Na China, em 1949, o Exército Vermelho de Mao venceu uma guerra contra o governo chinês, implantando o comunismo naquele país. O mesmo fez Lênin com a revolução na Rússia, em 1917, derrubando a monarquia comandada pelo tzar Nicolau II e transformando o país na comunista União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Em Cuba, de José Marti, Fidel Castro, Camilo Cienfuegos e Che Guevera, a luta foi contra um ditador que a mando dos EUA escravizava o povo. Com a vitória implantaram o primeiro regime socialista das Américas.

Todos venceram, mas tiveram que pegar em armas. Revoluções pacíficas só aconteceram em alguns casos, como por ocasião da divisão da Tchecoslováquia, e na Índia, com Ghandi fazendo greve de fome para libertar seu país do imperialismo inglês. Contam-se nos dedos alguns outros casos. Nestes não houve derramamento de sangue porque as relações diplomáticas foram eficientes, pois eram sérias e verdadeiras.

No Brasil as pessoas pintam os rostos e saem às ruas aos milhões, tomando muita cerveja, comendo espetinhos e - salvo as exceções-, fumando maconha. Xingam os corruptos, mas estes nem ligam porque sabem que é só isso o que fazemos. Somos pacíficos? Tudo bem. Mas nunca devemos nos esquecer do que disse Ernesto Rafael Guevara de La Serna: "Hay que endurecer-se pero sin perder la ternura jamás".

Portanto, allons enfants de La patrie. O nosso grito não é contra o governo, mas sim contra os governantes; não é contra a pátria, mas a favor da nação; não é contra a Justiça, mas contra juízes, desembargadores e ministros que se corrompem; enfim não é contra os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, mas contra o poder nas mãos de poderosos. Nós até já temos nosso grito, contido no Hino da Independência desde 1822. Desde essa época conquistamos apenas uma pseudo-independência, pois só saímos do colonialismo territorial e entramos no Colonialismo econômico. Eis o grito: "Brava gente brasileira, longe vá temor servil. Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil". Morrer lutando e não de fome. Allons camaradas!

Neurozito Figueiredo é mestre em Biodiversidade, professor universitário, escritor, músico, compositor e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso. E-mail: neurobarbos@hotmail.com

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