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16.05.2018 | 00h00

Disciplina ao consumo

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Na Semana Nacional da Educação Financeira, que começou na segunda-feira (14) e segue até o dia 20 em todo o país, o principal desafio do Banco Central e das instituições financeiras e entidades do setor parceiras do evento é fazer com que os brasileiros consumam de forma consciente e planejada. A Semana Enef, como é conhecida, é uma iniciativa do Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef) e promove uma série de ações e atividades relacionadas ao tema em vários municípios, com o objetivo de despertar nas pessoas a organização das finanças pessoais e da família.

E pode-se dizer que o comitê tem um grande trabalho pela frente. Isso porque o endividamento atinge um contingente de aproximadamente 62 milhões de brasileiros, que prejudicados pela alta taxa de desemprego dos últimos 3 anos, têm dificuldade em manter as contas em dia e, consequentemente, o nome limpo na praça. Aliado a isso, na última década, as facilidades no acesso ao crédito - principalmente sem orientação - levou o consumidor a comprar desenfreadamente, cuja bomba estourou de 2015 para cá, com a crise financeira nacional.

Apesar do alto endividamento e desemprego, os brasileiros não aprenderam a lição. Basta uma pequena luz no fim do túnel que o mau comportamento volta. Para ilustrar, basta ver os dados da pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) que revelam que em fevereiro, seis em cada 10 consumidores aproveitaram as facilidades do crédito para fazer compras não planejadas, ou seja, compraram por impulso.

Na lista de itens adquiridos sem planejamento estão roupas, calçados e acessórios (19%), supermercado (17%), perfumes e cosméticos (14%) e idas a bares e restaurantes (13%). As compras por impulso não é exclusividade de um sexo ou outro. Tanto homens quanto mulheres admitem comprar sem pensar, sendo que roupas e acessórios são mais adquiridos por elas, enquanto eles compram mais produtos eletrônicos.

E o grande aliado das compras por impulso é um velho "inimigo" dos endividados e inadimplentes, o cartão de crédito. É ele o grande responsável pelas compras de itens que não estão da lista, justamente pela facilidade nas operações e pela falsa sensação de que não se está pagando a conta (pelo menos na hora). O principal problema é que, de pouco em pouco e com várias pequenas parcelas, o valor total da fatura vai nas alturas, colocando o consumidor em uma situação delicada, já que, sem condições de pagar o valor cheio terá que pagar menos ou parcelar, transações realizadas com os maiores juros que se tem no mercado, o que tem tornado o cartão de crédito o grande vilão no endividamento das famílias.

E apesar de os juros serem considerados abusivos, as operações com cartões só aumenta a cada ano. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) apontam crescimento de 12,4% no valor das transações realizadas em 2017 na comparação com 2016. No ano passado, as compras com cartão de crédito somaram R$ 842,6 bilhões, contra R$ 749,7 bilhões no ano anterior. Ainda conforme a entidade, 96% dos usuários utilizam o cartão todo mês e 55% usam ao menos uma vez por semana.

Com tanto apetite pelas compras usando o dinheiro de plástico e a velocidade com que as cifras geradas pelas operações crescem, não apenas os bancos devem melhor orientar seus clientes, mas também os consumidores devem se atentar mais para isso. Equilibrar o orçamento e consumir de forma saudável deve ser um mandamento nos lares brasileiros para que a facilidade obtida agora não seja a causa de um grande transtorno lá na frente, diante de uma conta impagável e várias noites sem dormir.

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