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04.12.2018 | 11h36

Entendendo a depressão

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Lucia Moyses

Luciana Zacarias

Luciana Zacarias

Frescura, fraqueza de caráter, falta de Deus. Quem já não ouviu estas descrições a respeito de pessoas que sofrem de depressão? Provavelmente este transtorno é um dos mais incompreendidos e mal vistos em nossa sociedade. Depressão é para os fracos, desocupados, ateus.

 

Desmistificar este distúrbio não é tarefa fácil. Nem por isso, devemos fugir de nossa responsabilidade de esclarecer uma doença que tanto desencadeia sofrimento e hoje é considerada o mal do século. Estima-se que hoje 15% da população padeça deste mal.

 

O que é, na verdade, a depressão? É uma tristeza profunda, acompanhada de anedonia, ou seja, incapacidade de sentir qualquer tipo de prazer. O indivíduo simplesmente perde a vontade de viver e frequentemente não quer se levantar da cama, por não ter forças para enfrentar um novo dia. A sensação é de que nada vale a pena. Viver não vale a pena. A morte é a única saída, a única solução.

 

Quem sofre de depressão pode comer demais, ou não conseguir ingerir nada, pode dormir demais ou sofrer de insônia e, nos casos mais extremos, pode tentar o suicídio, não por fraqueza de caráter, mas sim por não encontrar outra saída para o seu sofrimento. Somente a morte poderá livrá-lo de tamanha dor.

 

Indivíduos com depressão normalmente padecem duas vezes. A primeira pela dor intrínseca da doença. A segunda, por se acharem fracos, inúteis, incompetentes ao ouvirem constantemente as frases: "Você precisa reagir. Não pode se entregar desse jeito".

A depressão pode ser genética ou consequência de fatores ambientais. Pode nascer de uma perda, de um fracasso, de eventos que ocorreram na infância, falta de amor, bullying, estresse ou simplesmente devido a uma falha neuronal. Sim, a depressão pode ser física tanto quanto um câncer e, no entanto, ninguém diz que câncer é frescura ou falta de fé.

 

A religião pode ajudar na luta contra a depressão? Sem dúvida. A fé, a confiança em algo maior do que nós pode, sim, trazer efeitos benéficos para a nossa vida e ajudar nas doenças. Mas não se deve nunca usar a religião para minimizar a gravidade da situação ou desprezar a dor do outro. A depressão é real e cada dia mais comum. O sofrimento é incapacitante e a ideia de tirar a própria vida é habitual e recorrente.

 

Assustador? Sim e não. Com o tratamento correto, é possível combate-la e levar uma vida normal. Medicamentos e/ou terapia são de extrema importância e não devem ser vistos como algo vergonhoso ou indigno. Não há nada mais digno do que a busca do próprio equilíbrio, da sanidade e da felicidade.

 

Lucia Moyses é psicóloga, neuropsicóloga e escritora (www.luciamoyses.com.br)

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