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02.02.2018 | 00h00

Lula, Davos e a globalização

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Nas últimas semanas dois acontecimentos significativos ocuparam as agendas nacional e internacional. Um deles foi a condenação, em segunda instância da Justiça Federal, em Porto Alegre, do ex-presidente Lula, acusado de prática de corrupção e lavagem de dinheiro, incluindo o aumento da pena de 9 anos e meio estabelecida, em primeiro instância, pelo juiz Sérgio Moro, para 12 anos e alguns meses, inicialmente em regime fechado, ou seja, mais dia, menos dia, se a defesa de Lula não conseguir reverter essas decisões, ele vai acabar no xilindró como outros políticos e empresários graúdos que já estiveram ou estão na cadeia há alguns meses ou anos.

Este fato é significativo porque vai ter repercussão nas eleições de outubro, não apenas para presidente da República, mas também para os demais cargos como senadores, deputados federais, estaduais e governadores.

Politizar as decisões judiciais deste e de mais cinco ou seis processos que Lula ainda responde, também por corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e formação de quadrilha, poderá impedir que o fundador e líder máximo do PT seja candidato a um terceiro mandato como presidente da República. Mas mesmo assim, Lula será uma referência importante no processo eleitoral, podendo, inclusive ajudar a alavancar tanto o PT quanto os demais partidos de esquerda em todos os estados.

Este acontecimento, ou seja, a condenação de Lula, deverá dar muito pano para manga, como dizem, e muita água ainda vai passar por debaixo da ponte até as eleições de outubro, lembrando que, da mesma forma como tramitou este e outros processos contra Lula, se a justiça, principalmente o STF e STJ, tiverem a mesma celeridade, com certeza a grande maioria dos mais de cem parlamentares, ministros, governadores e secretários de Estado e outros figurões poderão também ser impedidos de concorrer às eleições. Afinal, esses são acusados e investigados por crimes semelhantes aos de Lula e não seria justo condenar e prender meia dúzia de corruptos e deixar mais de uma centena de corruptos livres, leves e soltos ou então acontecer como no caso do ex-governador, ex-prefeito e deputado Paulo Maluf, que demorou 18 anos para ser condenado e colocado na prisão, demonstrando que a morosidade da Justiça contribui para a impunidade.

O segundo acontecimento foi a reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, que contou com a participação de mais de 4 mil pessoas, incluindo mais de 70 chefes de Estado, de Governo, ministros, grandes empresários, centenas de jornalistas e representantes de organizações não governamentais que assistiram diversas apresentações de Chefes de Estado e também puderam participar de mais de 400 painéis onde foram debatidos temas importantes para as relações internacionais e o futuro do planeta e da humanidade.

O tema deste ano da reunião de Davos foi "Criando um futuro compartilhado em um mundo fragmentado". Decorrentes deste tema, diversas outros, mais específicos, fizeram parte do encontro e que tem estado na pauta das agendas oficiais e não oficiais nos últimos anos.

Dentre esses temas, também importantes, podemos destacar: mudanças climáticas, desastres naturais; conflitos regionais e guerras, incluindo Guerra cibernética, conflitos geopolíticos; migrações internacionais ou grandes deslocamentos populacionais internos; corrida armamentista e a proliferação de armas de destruição em massa; crise econômica, financeira e fiscal em vários países e, finalmente, um tema que muitos governantes e grandes empresários nem gostam de falar, que é o aumento da pobreza e da desigualdade econômica, social e política no mundo, tanto entre países quanto internamente em todos os países.

Todos esses temas estão inter-relacionados e acabam gerando diversas consequências, tanto em nível mundial quanto nos países, com destaque para o desemprego, sub-emprego, falência dos estados, impossibilitando-os de oferecer obras e serviços públicos de qualidade e voltados, principalmente, para as camadas mais pobres e excluídas da sociedade, gerando insatisfação, protestos populares, conflitos sociais e políticos e instabilidade institucional.

Como bússola para os próximos encontros e as ações por parte das entidades governamentais, as agências internacionais, o setor empresarial e também a sociedade civil organizada, foram estabelecidas seis grandes agendas.

Essas são as seguintes: Agenda global; agenda geopolítica; agenda econômica; agenda regional e nacional; agenda de negócios e investimentos e, finalmente, a agenda do futuro, voltada para as inovações, as pesquisas, as descobertas, a reengenharia das instituições para fazerem face aos avanços científicos e tecnológicos e as mudanças de vanguarda, principalmente nas áreas das artes, medicina, ciência e tecnologia e na formação de novas lideranças políticas, empresariais e comunitárias.

Foi também aceita a ideia da criação de um Conselho Global do Futuro, a ser integrado por mil dos maiores e melhores pensadores, pesquisadores e empresários de diversas áreas e campos do saber, com a finalidade de pensar e imaginar quais serão os grandes desafios que a humanidade estará enfrentando nos próximos anos e décadas, ou seja, identificar alguns fatos portadores de futuro.

Resta saber se tudo isso será realmente implementado e como as pessoas, os governos, os empresários, as ONGs e instituição vão navegar neste mar extremamente revolto, evitando algumas catástrofes naturais ou humanas já bem previsíveis.

Juacy da Silva, professor universitário, aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversos veículos de comunicação. E-mail professorjuacy.yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

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