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16.01.2018 | 00h00

Ninguém quer a guerra!

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O mundo já assistiu a terríveis guerras e depois, às suas desastrosas consequências, muitas delas sem a menor possibilidade de se contabilizar os estragos tanto para as vítimas quanto para o planeta de um modo geral. E o primeiro mês do ano já entra em casa pisando em ovos quando o assunto é a escancarada, perigosa e irracional posição "pré-ataque" assumida pelos governos dos Estados Unidos e da Coreia do Norte, ambas nações, a um passo de deflagrarem o que poderá vir a ser a pior de todas as guerras dos últimos tempos.

Na recente pesquisa Global Advisor Predictions, realizada pelo Instituto Ipsos, divulgada nos primeiros dias de 2018, uma das questões pautadas pelos entrevistadores foi exatamente esta, se acreditavam que a guerra entre esses países poderia ser de fato deflagrada ainda este ano. A resposta para 42% dos entrevistados foi que sim. Na contramão de tantas apreensões, há quem defenda, que o tom ameaçador do "linguajar" do presidente Trump contra a Coreia não significa que os EUA estejam de fato, entrando em pé de guerra e que também a Coreia não apertará nenhum botão nuclear, apesar das inúmeras ameaças.

Mas, não é assim que pensa e se posiciona, por exemplo, o Papa Francisco, diante desse difícil momento. Foi durante a viagem para o Chile, nesta segunda-feira (15), - primeira parada de sua sexta viagem à América Latina -, que o sumo pontífice reconheceu diante dos jornalistas que o acompanham nessa visita, que realmente tem medo de que um incidente venha desencadear uma guerra nuclear.

Segura em uma das mãos a terrível foto "Fruto da Guerra", de um menino em Nagasaki após a explosão da bomba atômica, em 1945, com o corpo de seu irmão morto, numa fila para ser cremado. Após distribuir cópias aos 70 jornalistas à bordo, declarou apreensivo: "estamos no limite (...) basta um incidente para desencadear a guerra. Não se pode correr o risco de que a situação precipite. Portanto, é preciso destruir as armas nucleares". Volta à foto e comenta: "a tristeza do menino se expressa em seus lábios mordidos e cobertos de sangue".

Mesmo que muitos subestimem a irracionalidade tantas vezes visíveis de quem detém o poder das nações, especialistas em guerra lembram que em situações de tamanho risco e tensão, qualquer movimento, resposta ou discurso mal colocado e mal interpretado pode gerar, sim, o derradeiro sim, para a guerra. Qualquer guerra.

A história nos faz lembrar que os dois países chegaram perto de um conflito armado em 1994, que acabou sendo vencido pela diplomacia. Temem os analistas políticos a exacerbação da retórica belicosa e imprevisível dos dois lados.

Das terras tupiniquins, também assistimos apreensivos o desenrolar desse novelo, também estamos apreensivos com nossas guerras internas destruindo tantas famílias pelos caminhos tortuosos das comunidades. Ninguém quer a guerra. Nem aqui, nem lá, nem em lugar algum. Se é pra lutar, que lutemos o bom combate. É hora de neutralizar essa insanidade!

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