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16.05.2018 | 00h00

Novos ambientes

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Um dos ideólogos do Estado afirmava com convicção que o novo império duraria mil anos. Para tanto era preciso praticar toda sorte de aberrações fosse contra quem fosse para que uma raça superior dominasse o mundo. Só ela seria capaz de recuperar a Idade do Ouro, como outras civilizações fizeram no passado. O instrumento principal era liquidar com a democracia, considerada fraca, insuficiente para um pais que pretendia liderar o mundo. Era necessário uma ditadura com o poder concentrado nas mãos de um homem só, como um kaiser moderno. Este tirano era Adolf Hitler. Um lobo vestido com pele de cordeiro, uma vez que se elegeu primeiro-ministro em eleições democráticas e, como tantos outros, deu um golpe de estado e mandou fechar o parlamento. Foram 9 anos de agonia, perseguição, massacres, câmaras de gás, genocídios e propaganda do regime. Muita propaganda nos veículos de comunicação estatais e absolutos. Os anos de gás se desfizeram com a derrota militar, o julgamento dos carrascos e uma montanha de documentos sobre o horror vivido e imposto pela ditadura ao povo e seus conquistados.

Os arquivos foram abertos e historiadores de todo o mundo tiveram acesso a tudo. Muitos documentos só foram divulgados muitos anos depois. Ainda assim ninguém escapou da justiça e da história. Novos partidos e políticos surgiram e transformaram a Alemanha em uma democracia estável e potência econômica.

Os adeptos do comandante descobriram como calar a oposição. Sequestro do desafeto, tortura e uma boa dose de óleo de rícino. Os grupos dos camisas pretas, conhecidos como fascio di combattimento, foram chamados para a capital do reino. Diante de uma ameaça de guerra civil em Roma, o rei não teve outra alternativa se não nomear o Duce como chefe supremo do governo. Mussolini prometeu restaurar para a Itália o prestígio da antiga Roma. Começaria com a recuperação do Mediterrâneo, o velho mare nostrum. Para isso precisaria invadir algumas praias em volta, como o norte da África, Grécia entre outras. Aliado aos nazistas e direitistas nipônicos ajudou a formar o eixo. O desastre foi imenso. Sem a pujança industrial e bélica dos seus aliados, a Itália foi a primeira a sucumbir na grande matança conhecida como Segunda Guerra Mundial. Um dia antes de ser enforcado o Duce tinha uns nove milhões de seguidores, depois da queda do regime não havia ninguém. A democracia voltou também com novos políticos e partidos apesar das crises constantes da república parlamentar à milanesa. Os arquivos foram abertos, os processos iniciados, os historiadores puderam ter acesso a todos os documentos para contar o que se passara na península.

A América do Sul também viveu ditaduras violentas. É verdade que nenhuma chegou ao grau de violação dos direitos humanos do nazismo, fascismo ou do comunismo estalinista. Depois da queda dos caudilhos de diversas matizes, as nações se esforçaram para erigir sistemas democráticos. Contudo os partidos não acompanharam o desejo de mudança e inovação. O campo foi arrumado para que velhos líderes políticos que transitaram nas ditaduras reaparecessem como se não tivessem tido nenhum compromisso com o passado. As sociedades que ansiavam por novas propostas e políticos tiveram que engolir os mesmos sob o pretexto de não atrapalhar a construção da democracia, como a Nova República no Brasil. Contudo, ao contrário dos países europeus, os arquivos não foram abertos para os historiadores e defensores dos direitos humanos. Muitos foram destruídos. Houve uma acomodação da velha política com os que praticaram barbaridades na época da ditadura, consolidado pela anistia. A diferença entre esses ambientes é que na Europa o velho foi descartado e abriu caminho para o novo. No Brasil os velhos estão onde sempre estiveram, com as rédeas dos partidos nas mãos, privilégios de toda ordem e ocupam os postos de governo com pompa e circunstância.

Heródoto Barbeiro é editor-chefe e âncora do Jornal da Record News em multiplataforma.

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