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25.12.2017 | 00h00

O ano da China em Mato Grosso

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A maior indústria do setor de alimentos da China, a Cofco Agri, celebrou com o governo de Mato Grosso na segunda-feira, dia 11.12, um protocolo de intenções de investimentos no estado. A trading chinesa Cofco está avançando vigorosamente para se tornar uma das maiores exportadoras brasileiras de grãos, ao lado das gigantes Bunge, Cargill, ADM e Louis Dreyfus. Se uma trading de produtos agrícolas de fato tem a ambição de ser global, precisa estabelecer bases sólidas no Brasil e, de preferência, em Mato Grosso, que é o epicentro do agronegócio nacional.

Aqui a empresa chinesa já tem plantas de esmagamento de soja, silos de armazenagem e também explora a fabricação de biodiesel. A Cofco, que está no topo do ranking das maiores empresa de exportação de soja no estado, aparentemente tem disposição para fortalecer ainda mais essa posição no mercado. O CEO da empresa, Johnny Chi, declarou o interesse em acelerar novos investimentos e colocar realmente em prática os termos do protocolo de intenções firmado como o governo mato-grossense. Chi afirmou que a remessa de soja à China a parir de Mato Grosso nos próximos anos dobrará, passando de 3,5 milhões de toneladas para 7 milhões de toneladas da oleaginosa. A contrapartida do estado diante desse surpreendente portfólio de investimentos chineses será a concessão de novos incentivos fiscais através do Prodeic, um programa que tem como objetivo contribuir para a expansão e modernização das atividades econômicas. O estado ainda terá que requalificar sua infraestrutura de rodovias e portos, segundo nota da Secretaria de Comunicação do governo.

Os investimentos chineses em Mato Grosso, como a recém aplicação de capitais anunciada pela Cofco no início do mês, indicam perspectivas de crescimento econômico bastante interessantes a partir de 2018. Mas o avanço do capital chinês em Mato Grosso é um fenômeno relativamente recente, e ainda não é plenamente compreendido e assimilado por alguns agentes econômicos ou por determinados segmentos do Poder Público. É evidente que a China quer garantir o suprimento de alimentos a sua população e para isso o governo chinês tem como método avançar produzindo em áreas agricultáveis em outros países. Como os investimentos chineses são superlativos, e incluem a propriedade da terra, o cultivo, a produção, o processamento, o transporte, a aquisição, e, alguns casos, o financiamento de toda essa cadeia que vai do plantio ao consumo, o resultado seria uma dependência externa excessiva que gera vulnerabilidade e um certo "decréscimo de soberania". Outro problema é a composição das trocas no comércio entre as Mato Groso e China. O que se percebe, afirmam analistas e empresários, é a repetição de um velho modelo de exportação de bens primários e importação de produtos industrializados, que sempre definiu a relação de dependência de países subdesenvolvidos com as nações mais ricas.

A parceria com a China é essencial, já que se trata da segunda economia mundial e o Mato Grosso tem interesse em atender às necessidades alimentares da potência asiática, mas a população local poderia se beneficiar de forma mais objetiva dessa relação. De forma conjugada à essas negociações bilaterais, o governo de Mato Grosso poderia incluir a transferência de determinadas tecnologias, a instalação de indústrias, a capacitação e o intercâmbio de profissionais, estudantes e pesquisadores. Talvez fosse possível extrair mais desse movimento comercial com a China, e estabelecer uma parceria mais benéfica, que permitisse à sociedade e ao empresariado local compreender e explorar melhor o modelo de desenvolvimento chinês. Uma parceria nesses termos produziria um legado mais consistente e duradouro para o conjunto da população e não apenas para os grandes grupos empresariais.

A China está em Mato Grosso e em 2018 essa realidade provavelmente se tornará cristalina. O jornalista Onofre Ribeiro foi muito oportuno ao afirmar que "Mato Grosso não poderá ser entregue aos interesses chineses sem uma enorme proteção legal, política e estratégica que hoje não existe". Enquanto a China parece saber exatamente o que quer com a parceria com Mato Grosso, o estado ainda se ajusta passivamente às necessidades do poderoso país asiático.

Daniel Almeida de Macedo é doutor em História Social pela USP

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