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19.11.2017 | 00h00

Ouvindo a voz da empresa -3

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Havia um sábio que era sempre buscado pela multidão para conselhos e bênçãos. As pessoas bebiam suas palavras. Entretanto, havia um sujeito desagradável, que não perdia a oportunidade de contradizer o mestre. Notava as fraquezas do sábio e caçoava de seus defeitos, para a consternação dos discípulos, que começaram a considerá-lo o diabo em vida.

Bem, um dia o "diabo" ficou doente e morreu. Todos suspiraram de alívio, menos o mestre. As pessoas ficaram surpresas e perguntaram-lhe o motivo. Foi então que o sábio disse: - Por que deveria lamentar nosso amigo que agora foi embora? Era por mim mesmo que eu lamentava. O homem, afinal, era o único amigo que eu tinha. Agora estou cercado de pessoas que me reverenciam. Ele era o único que me desafiava. Com sua partida, temo parar de crescer.

Vamos instalar em nossas organizações desafios periódicos de troca de experiências e de ideias.

Para instalar a OVE Ouvindo a Voz da Empresa, todos os funcionários sentam-se em cadeiras colocadas em forma circular ou oval, para ficarem fisicamente "iguais" e percebendo as movimentações e expressões faciais, pois o corpo diz o que passa dentro dos indivíduos.

Algumas regras básicas são necessárias e não devem ser mudadas, sob o custo de vir a se tornar uma reunião comum, com linguagem agressiva, onde muitos discutem várias coisas, decidem pouco e depois não realizam nada.

Então, deveremos permitir somente sugestões. Os problemas deverão ser sempre associados a sugestões que visem solucioná-los. Deverá ser também formado uma pauta, que depois tratará somente de um assunto por vez até esgotá-lo. Após encontrar um encaminhamento, uma ação, define-se quem irá fazer, quando, como e com quais recursos. Anota-se na Relação de pendências atualizadas (RPA) para acompanhar nas demais OVEs. Pode-se numerar para obter progresso histórico.

A figura de um Mediador é fundamental. Ele será aquele que apesar de, não necessariamente, ser o diretor da empresa, tem o perfil para comandar grupos em dinâmicas participativas, com domínio do ambiente e liderança. Inicialmente irá ordenar a pauta, solicitando um a um, as sugestões que trouxeram. Vai acompanhar o desenvolvimento das sugestões, interferindo quando mais de um assunto é colocado ou se mais de uma pessoa intervém. Terá o cuidado de observar o tempo para começar e terminar no horário combinado. Após montar a pauta do dia, lê a RPA e passa a palavra aos responsáveis. Pode-se criar a figura do "Crono", aquele que sinaliza o tempo, e do "observador" que controla as inscrições.

A interação virá na própria dinâmica na qual às sugestões será a pedra fundamental para gerar ações proativas e positivas. Pense nisso, mas pense agora!

Saulo Gouveia é consultor financeiro e organizacional, e atua oferecendo novos significados para viver as virtudes em abundância. Articulista de A Gazeta, escreve neste espaço aos domingos. saulogouveia@seubolso.com.br ou www.seubolso.com.br

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