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23.01.2018 | 00h00

Reforma da Previdência - Melhor adiar

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Suspeito que o tempo oportuno para aprovar a reforma da Previdência já passou. Também ela está tão mutilada depois de concessões absurdas, que o dinheiro gasto e os presentes ofertados aos parlamentares para aprová-la já trouxeram prejuízos maiores que os possíveis benefícios.

Foram tantas verbas liberadas, cargos distribuídos, conchavos alinhavados, que depois de tanto esforço e tantas dores, se insistirem nas concessões para gerar esse monstrinho, vão parir um gabiruzinho raquítico, disforme e inútil.

Não sou alarmista a ponto de achar que se a reforma não for aprovada o caos se instalará imediatamente. Não chegaremos a um processo agudo neste ano, somente remaremos inutilmente a canoa que não vai sair do lugar. Mas quando ela estiver a ponto de afundar de vez os políticos serão obrigados a tomar uma atitude, só que quanto mais tardar mais radical deverá ser o corte.

Enquanto houver algum dinheiro para pagar os aposentados, mesmo vindo de endividamento da União, de desvio de um setor para acudir outro e de ausência total de investimento será difícil aprovar uma previdência racional e sustentável.

Ela, a previdência, é hoje a ponta mais visível do enorme desequilíbrio das contas do governo, mas há outras, entre elas a folha de salários do País, estados e municípios que consome a maior parte do dinheiro arrecadado.

Claro que os funcionários públicos não são os culpados por esse desacerto, pois o que falta é gestão para melhorar o aproveitamento dessa mão de obra, certamente a mais qualificada do Brasil.

Esse desequilíbrio não foi criado pelo PT porque sua origem remonta à Constituição de 1988 que carimbou verbas e criou porcentagens de destinação mal distribuídas. Mas os governos de Lula e Dilma pisaram fundo no acelerador do descontrole, enganando o povo para se manterem no poder.

Dar benefícios e aumentar salários, mesmo em momentos de absoluta falta de caixa, tem sido o costume dos governantes. Só que não dá para repartir o que não tem. Benefícios distribuídos à custa de endividamento serão cobrados no futuro. Os próximos aposentados vão pagar caro pela irresponsabilidade dos atuais gestores.

Um governo fraco como o do Temer, que ficou ainda mais desacreditado com as gravações de conversas comprometedoras, não vai dar conta de aprovar a reforma de Previdência, mesmo com todo dinheiro que já repassou para conseguir apoio dos deputados. Melhor seria esquecer esses assuntos mais polêmicos, deixando para o próximo presidente, que com a água no pescoço e sem dinheiro para pagar aposentadorias e altos salários dos funcionários públicos, será obrigado a cortar os privilégios que seus antecessores concederam.

O perigo é a volta do Lula para terminar o serviço que ele e a Dilma começaram e enterrar definitivamente o País.

Renato de Paiva Pereira é empresário e escritor. E-mail: renato@hotelgranodara.com.br

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