Alfredo da Mota Menezes A arte de roubar
Só se fala em roubo e corrupção, seja no estado ou fora. Não é uma novidade, é uma tradição doída no Brasil. Um pouco de história. Em 1640 apareceu em Portugal um livro, “A arte de roubar”, que mostrava como funcionava o roubo no Brasil-colônia. Alguns casos.
Em Minas Gerais, padres transportavam ouro ou diamantes em estátuas de santos. A expressão “santinho do pau oco” viria daí. Estátua de santo com dedo quebrado era mandada para concerto em Lisboa. Ia cheia de ouro. Concertavam, quebravam outra parte da estátua e lá ia de volta com um peso acima do normal.
No Brasil não havia gente instruída em leis. Juízes vinham de Portugal. Aqui aprontavam estripulias para se enriquecer e voltar logo à metrópole. Vinham “fazer a América”. Na colônia inglesa, hoje EUA, os protestantes iam com sua família para ficar e não fazer a América e retornar. O dinheiro que ganhavam era aplicado onde estavam e não levado para a Europa.
Dinheiro mandado para comandantes militares no Nordeste para comprar material e pagar soldados eram roubados por eles. Os solados andavam descalços.
Havia as concessões de sal, minas ou tráfico de escravos. Quem a recebia dividia o botim com alguém da corte em Portugal. Ou seja, parte do clero, dos militares, do judiciário, de intermediários e gente da corte, todos roubavam.
Estuda-se muito em universidades o chamado patrimonialismo, uma característica da América Latina. É a crença de parte da elite de que tem o direito de abocanhar um naco do Estado. Seja nos contratos de obras públicas, nos grandes salários e benefícios ou o que for o Estado é apropriado em benefício de grupos.
Mas o que gerou essa quase epidemia em atos de corrupção é a falta de punição. Tem análise que diz que num lugar como o Brasil em que se alguém matou alguém e se confessar a um padre estaria perdoado até para ir para o céu, como uma lei comum pode ser superior a uma invenção dessas?
Além disso, a invenção politico-eleitoral tupiniquim incentiva ainda mais a corrupção em órgãos públicos. Para ganhar a eleição, e depois na busca de uma tal de governabilidade, os executivos nos três níveis distribuem o poder ou onde há dinheiro para os aliados de ocasião.
Não é o Executivo que escolhe o indicado para cargos importantes na hierarquia das verbas. Quem indica é o partido da aliança. E indica quem quer e muitas vezes são os mais dóceis às coisas ditas não republicanas. É um escândalo atrás do outro.
Para diminuir um pouco esses assaltos, deveria acabar esse esquisito arranjo político. Mas acabar como se existem 29 partidos no país?
Alfredo da Mota Menezes escreve em A Gazeta às terças, quintas e aos domingos. E-mail: pox@terra.com.br. Site: www.alfredomenezes.com
leia também
Erro de avaliação
Nada é impossível
Investimento privado versus ideologia
Unemat em Várzea Grande
Porto de Morrinhos
Mensalão
Soja e preocupações
Candidatura Riva
Eterna vigilância
Eficiência nos gastos públicos
Indiferença histórica
Gastos públicos
Acendeu a luz amarela?
Elogios, mitos e malhos
PT sabe usar o poder
PEC-37
Thatcher e o momento inglês
Essa doeu na moleira
Emenda parlamentar
Na eleição de 2014
Crença da esquerda
Perguntas da rua
Será verdade?
Estranha submissão
Fundo de Participação dos Estados
Mudanças e preocupações
Ciúme ou verdade?
Tudo pela eleição
A conta chegou
Candidaturas
EUA ajudaram Chávez
Mais política nacional
Na política nacional
Obras e preocupações
Mudanças
Cuba e o momento
Situação incômoda
Medida Provisória 599
Grande equívoco
O último trem
Menos, gente, menos
Mais dúvidas
Dúvidas históricas
Bolívia e Mato Grosso
Os dois
UFMT e momento
Começou a campanha
Lei de Eficiência Pública
Coisas da política
Cuiabanos e gaúchos
Mauro e a Câmara
Equívoco político
Religiões
Verba indenizatória
Na eleição de 2014
Um balanço
Sorte e política
Ainda a saúde
Saúde, mais contribuição ao debate
Saúde, contribuição ao debate
Tudo é política
Obras e empreiteiros
Politicagem e saúde
Mais uma vez
PT repete PSDB
PSD volta ao governo
A guerra é nossa
Várzea Grande e o momento
Assuntos da política
Mais dinheiro para o professor
Linguagem da política
Jeito tucano de governar
Aftosa, cocaína e chá
Perdemos
Eleição nos EUA
Sonhando
Ainda a eleição
Casos da eleição
Na fronteira
Humildade, arrogância e alinhamento
Nova abordagem da história
O modelo Sarney
Quer ver, escuta
Mensalão e o exterior
Mais curiosidades da eleição
Curiosidades da eleição
Histórias
Mensalão e política
Coisas da campanha
Eleições no exterior
Dois assuntos
Mais eleição
O domínio do Ocidente
Só perguntas
Na eleição em Cuiabá
PT na eleição nacional
Ainda na campanha
Na campanha
Roubar como arte
Mais coisas do momento
Momento
Inventando conversa
Poderia ser agora
É hoje
Cem anos de Nelson Rodrigues
BID-Pantanal e o PAC
Assunto de Cuiabá
Promessas de campanha
Privatizações e neoliberalismo
Olimpíadas e ilações
Mais histórias do mensalão
Bondade ou maldade?
Histórias do mensalão
Leituras da greve
É hora de avançar
Coisas óbvias
Gestão e dinheiro
Paulistas ou gaúchos?
O marqueteiro
Preocupação
Pragmatismo, críticas e riscos
PT e o momento
Outra situação incômoda
Situações incômodas
Ferrovia e realidade
Entrevista
Assuntos da política
Rescaldo das convenções
O que custa tentar?
Greve nas universidades
No Paraguai
Controvérsia
É perigoso
Perdas e ganhos
Eleições para vereadores
PSD e horário gratuito
Copa e pós-Copa
Outros números da Copa
Estudo sobre a Copa
Dívida e dúvidas
Tenha a santa paciência
Entrevero
Eleição e dúvidas
Inventando história
Riva candidato
Dívida e renegociação
É subliminar
Renegociação da dívida
Lá pode, aqui não
CPI e mensalão
Tudo como sempre
Ingenuidade tupiniquim
Teoria da conspiração
Na eleição da Capital
Em nome dos tontos
Três assuntos de Cuiabá
No centenário
Repetição histórica
Cadê o novo Itamaraty?
A CPI do Cachoeira
Ninguém viu
Mauro e Wilson
Cuiabá e o impacto populacional
Política cá e lá
Eleição em Cuiabá
Código Penal e corrupção
PIB do agronegócio em MT
Sorte e política
E se der certo?
Reforma política na China
Discurso inventado
Desindustrialização
Silval e Várzea Grande
Tragédia anunciada
Você quer ver, escuta
Eleição nos EUA
Discussão com a esquerda
Novo comentário da política
No jogo político
Copa e política
Agora a Unemat vem
Educação e voto
Neoliberalismo e realidade
Decisões de impacto
Mardi Gras
Agricultura no futuro do estado
PT e PSDB
Amaggi e meio ambiente
Brasiguaios e carperos
O que está havendo?
Parceiros complicados
Perguntas da política
Fatos da política
Argentina, Brasil e Alca
Socialismo e realidade
Uísque, amante e política
Cuiabanos e o poder
Cuiabá perdeu o poder
Na eleição
A rua e os maquinários
Totó Paes e os alemães
Ano complicado
Incompetências
Corrupção e condenação
Em nome dos tontos
Contas e ajustes
Orçamento e realidade
Promessa de campanha
Sobre o Judiciário
Celac e Unasul
Saúde no governo Silval
Uma opinião
Fundos de pensão
Subsídio agrícola
Inclusão social e votos
Em nome da governabilidade
Ainda a conversa com a consulesa
Conversa com a consulesa
Frases
É complicado!
Rezar também ajuda
Radares
Decisão histórica
Indagações políticas
Esquerda no poder
Mais política em MT
Política em Mato Grosso
Conversa sobre Cuba
Momento de diálogo
Assassinatos
Os EUA e o momento
Mexida no tabuleiro político
No aniversário de Cáceres
Constituição de 1988
Apelo
Discurso ultrapassado
Sonhando outra vez
Um novo Mato Grosso
Eleição em Várzea Grande
Lei Kandir
Agecopa e fatos
Eleição em Cuiabá
Sei lá
Motivos
Renúncia e consequências
Perdões
Ilações sobre uma candidatura
Até que enfim
Cobertor curto
O tal do despenhadeiro
Porcarias
População de Cuiabá
Lula não será candidato
América Latina
Dívida dos agricultores
Ainda a Sanecap
Brasil real
Washington e Brasília
Perguntas do momento
Mais ponderações sobre a Sanecap
Sanecap e dúvidas
Situação complicada
Ilações da rua
Quase desacorçoado
Ideias e ações
Pequena revolução
Três assuntos do governo
No caminho certo
É assustador
Mato Grosso e Bolívia
O médico e a rua
Duas histórias da política
Histórias
Fatos da semana
Pedagogia no caos
Queimando o carvão
A batalha da hidrovia
Contas públicas e política
No Parlamento Amazônico
Cáceres a Santa Cruz
Saneamento e política
Política e história
Outras duas histórias
Fusão de partidos
Código Florestal no exterior
Briga de cachorro grande
Rezar ajuda
Duas histórias
Renegociação da dívida
Conversas da rua
Batam o bombo
Na política
Mais educação
Dúvidas
Sonho de articulista
No debate do momento



comentários (1)
enviar por email












