Raphael Curvo Como nos velhos tempos
Quarta-feira, 22 de junho de 2011, a verdade foi, finalmente, restaurada. O único time brasileiro de grife internacional voltou ao patamar de onde nunca deve sair. O Santos mostrou, nestes últimos dois anos, como deve ser conduzida uma administração que está voltada a realizar, a ser vencedora. O time da Vila Belmiro ganhou quatro das cinco disputas em que participou: Dois campeonatos paulistas, Copa do Brasil e Libertadores da América. Digo mais, só não ganhou o campeonato brasileiro de 2010 porque teve um técnico que queria ser maior que o próprio Santos. Dorival ‘demorô’ a cair fora. Enganam-se os que pensam que com ele teríamos evoluído. Tivemos que dar um passo atrás para dar dois à frente.
Ainda temos este ano dois títulos em disputa. O Brasileirão e o mundial de clubes. Mesmo com todas as trapalhadas do calendário futebolístico de nossa terra, o Santos é favorito para a disputa das duas competições. Isto porque existe na administração do clube uma direção empresarial, com visão do sucesso e como alcançá-lo. Mais, imprime no ‘governo santista’ a ética, moralidade e respeito para com o torcedor. Ao mesmo tempo em que atua com atitudes empresariais, a diretoria tem como objetivos dar alegria à massa de torcedores e promover a arte de jogar futebol, daí a grife que vem desde os anos 50, com pequenos recessos.
Ganhar o Brasileirão 2011 vai exigir criatividade e inteligência. Isto tem de sobra na direção do clube Santos. São vários os jogadores de alta qualidade que estão a caminho da Vila Belmiro. Todos vêm para somar aos existentes e manter o alto padrão futebolístico que o time tem apresentado nesta década, quatro vezes campeão paulista, duas vezes brasileiro, uma Copa do Brasil e uma Libertadores. Uma média de quase um título por ano, não inclusos os de vice-campeão. Os ‘doídos’ estão torcendo pelo sucesso dos estrangeiros para retirarem do Santos seus maiores ídolos. Acreditam que com a saída deles o time vai se desmoronar, assim como pensaram quando Robinho, Diego, Paulo Almeida, Elano, Léo, Alex, Renato e tantos outros se foram. O mesmo pensamento vigorou há pouco com a saída de André, Wesley, Robinho e outros. Rei morto, Rei posto. Temos nas categorias de base inúmeros garotos de altíssima qualidade para serem lançados. Alguns já sentindo os sabores do time profissional.
Ganhar o título mundial pode ser mais fácil que o brasileiro por vários motivos. Um deles se refere à arbitragem, que no ano de 2007, quando perdemos para o Cruzeiro o título, o Santos, além do inadmissível erro arbitral que levou o time à derrota em jogo pré-decisivo com o próprio Cruzeiro, teve no transcorrer do campeonato 19 gols legais anulados, trazendo um prejuízo de mais de 12 pontos na tabela de classificação. Era o período de Luxemburgo, muito visado pela arbitragem. Eu creio que jogar com o Barcelona uma final é garantia, não muito fácil, de faixa no peito. O Barcelona, na minha visão, é um time formatado, computadorizado e qualquer criatividade, de hacker, pode desmontá-lo por completo. Criatividade o Santos tem de sobra, é a natureza do jogador brasileiro, principalmente dos existentes no plantel santista e que serão complementados com as novas aquisições. Tenho informação, via um ex-craque brasileiro, que serão de peso, só a falta de sorte das negociações para que isto não aconteça. Com Muricy a qualidade e criatividade técnica e tática está garantida, perdeu apenas um jogo em três meses, mesmo assim com o time reserva, apesar da maioria dos jogos sem os titulares absolutos como Ganso e Neymar.
O Santos é considerado pela Fifa o melhor clube das Américas do século 20. O único clube brasileiro a conquistar um título estadual, nacional, continental e mundial em um único ano (1962). De 1960 a 1969, o Santos conquistou 22 títulos oficiais. Em 1999 foi o primeiro clube da história do futebol a atingir a marca de 10 mil gols, e em 2005 com o gol do cuiabano Geílson atingiu a marca de 11 mil gols. Bons salários, ética, moralidade e vontade política de realizar fazem do Santos um time vencedor. Um bom exemplo para muitos, inclusive governantes.
Raphael Curvo é jornalista, advogado pela PUC/Rio de Janeiro, pós-graduado pela Cândido Mendes/RJ e escreve em A Gazeta aos sábados. E-mail: raphaelcurvo@hotmail.com
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