Raphael Curvo Presidente Dilma em teste
Assisti ao depoimento, melhor, explanação do senhor Pagot, diretor em férias do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), à comissão do Senado convocada para escutá-lo. Tecnicamente, o diretor Pagot recebeu nota 10 ao expor didaticamente todo o funcionamento do Dnit. Amarrou com perfeição cirúrgica todos os membros, deixando claro que o erro de um é de todos e sanções para um devem ser estendidas ao corpo diretivo, incluso o atual ministro dos Transportes, senhor Passos. Interessante a estratégia e a maestria utilizada, a mesma quando pego em flagrante recebendo da Hermasa do senador Blairo Maggi e do dinheiro público via salário do Senado como assessor do finado senador Jonas Pinheiro. Como disse Lula, quem não faz isso? A lei, ora a lei.
Fora a colocação de que o senador Blairo trabalhou com ele, Pagot, no mais, foi bem explicativo. Esta explicação refinada deixou de lado alguns pontos que não podem deixar de ser colocados à reflexão. Talvez até possam ter sido mencionados nos momentos em que me afastei da internet. Um deles é referente à cobrança de propina pelo Partido da República para seu caixa de campanha. Acredito até que Pagot não tenha participado diretamente de tais procedimentos. Mas o detalhe que me intriga é que sendo um dos representantes do PR na estrutura de governo, não tenha Pagot conhecimento de que tal procedimento de arrecadação ilícita de recurso se processava nos contratos do Dnit com as empresas prestadoras de serviços ao órgão. Como disse o próprio Pagot, em trecho do seu depoimento, é conversa para boi dormir. Que é um “homem-bomba” todos sabemos, só que o detonador, pelo que nos parece, está nas mãos do senador Blairo Maggi.
Os contratos sempre foram perfeitos e todos os atos de termo aditivos também o são, está na lei. Este acontecimento de obras dobrando de preço está com falha na contratação com base em projeto básico. É algo a ser revisto. Como disse o senhor Pagot, os preços estão de acordo com a tabela de preços de referência do governo federal. Há, entretanto, um porém levantado pela revista Veja, o “superfaturamento oculto” descoberto pela Polícia Federal na composição de valores dessa tabela. Será que este fato não é do conhecimento de todos os que são responsáveis pelos contratos do governo? Não está aí o pulo do gato, melhor, do rato? Essa tabela foi composta pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pela Caixa Econômica Federal e pelo Dnit e tem como função representar o teto que o governo pode pagar em uma contratação. Acontece que estes preços não são os do mercado, estão acima deles. Assim, por exemplo, o governo paga à empreiteira por um produto R$ 100 que no mercado custa R$ 50. Essa diferença pode ser o motivo da coleta.
Como fica a presidente Dilma em todo esse imbróglio? No meu entender, está no caminho certo. Querer, como alguns da base governista, defender toda essa situação de casa da “mãe Joana” imposta pelo PR de Waldemar Costa Neto e Alfredo Nascimento é ato insólito. É a mesma situação do ministro Eunício Oliveira que, sem o menor rubor e descaradamente, diz que está afastado de sua empresa e por isso nada tem a ver com a lambança promovida pela Manchester, da qual detém 50%, na fraude de licitação que diz desconhecer.
A presidente não está passando por momento de crise. Está sim, passando por momento de faxina. Todos os brasileiros estão há muito à espera de alguém que tome uma atitude contra essa fornalha de corruptos que desviam o dinheiro do povo para seu próprio bolso. O filho do ex-ministro Nascimento é prova viva dessa descarada usurpação do dinheiro público. É o único na história mundial a crescer o seu patrimônio, no período de apenas dois anos, em mais de 85.000% com “labuta larapial”. É um gênio das finanças, o Madoff tupiniquim.
Deixo ao final deste, um sinal de fé e esperança de que a presidente Dilma me queime a língua já que dela não tinha, no período eleitoral, qualquer crença de que seu governo não seria diferente daquele que o antecedeu. Há sinais de que o caminho poderá ser outro, demonstrados em muitas atitudes, até mesmo em relação ao apologista da droga FHC.
Raphael Curvo é jornalista, advogado pela PUC-Rio e pós-graduado pela Cândido Mendes-RJ
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