Raphael Curvo Ói nóis de novo novamente
O novo Honda City fabricado no Brasil foi lançado no México ao preço de R$ 25.800,00, o mesmíssimo que aqui, em nosso solo pátrio, custa R$ 56.300 com câmbio manual e sem freio ABS. Fica a pergunta: qual a mágica disso? Com a resposta o governo e seus ministérios da Indústria e da Fazenda. Fui informado pelos argentinos amigos meus de internet que o Brasil exporta o litro da gasolina para ‘los hermanos‘ a R$ 0,65 o litro. Fica a resposta para a Petrobras do por quê custa no Brasil R$ 2,78 o mesmo litro.
Quando fiz pós-graduação na PUC-Rio sobre Teoria Geral de Estado e Constitucional, curso não terminado em razão dos professores ‘montoneros’ argentinos que a PUC deu abrigo, o Plastino, professor de Introdução à Economia, ensinou que o Brasil transfere os custos fixos de expansão de fábricas e tecnologias aos produtos vendidos aos brasileiros sem inserir tais custos naqueles produtos que são exportados para que estes sejam competitivos no mercado externo. Isto se resume em que o brasileiro paga mais caro para que o estrangeiro possa ter um produto mais barato, ou seja, nossas gotas de sangue para o conforto econômico dos europeus, por exemplo.
É o mesmo que está acontecendo na atualidade com o aporte de dólares na nossa economia. A enxurrada da moeda americana que entra tem como único objetivo o lucro rápido já que todos ou quase todos, presumem-se cerca de 89%, vêm para o mercado financeiro. Os juros se tornam um maná para os gringos levarem mais umas gotas de nosso sangue. Para o governo do Brasil a fonte é inesgotável no financiamento da farra política e dos gastos absurdos. É por essa considerável via, entre outras, dos impostos sobre investimentos estrangeiros de 6% de IOF, que a arrecadação fiscal do governo viabiliza as benesses de distribuição de dinheiro aos programas sociais que não objetivam resultados evolutivos ao povo tais como formação profissional, educação e outros. Mas, em contrapartida, enchem os cofres dos ministérios e órgãos federais que são loteados aos cúmplices da administração pública, ou seja, os partidos que vivem da teta do governo.
Há muito que venho escrevendo sobre essa questão de Investimento Estrangeiro Direto (IED) que para mim sempre foi um engodo. Agora a mentira está aflorando com a notícia de que o dinheiro entra de forma indireta, via empresas, para aplicação no mercado financeiro. Ao entrar como IED, fogem da incidência do IOF. Quem paga a conta é o brasileiro, que pela ignorância é levado de roldão por esse grupo que hoje açambarca o Brasil. É essa ignorância que permite livremente mentir em campanhas e nada cumprir depois. Não é que fica no esquecimento, é que o povo, por ser ignorante e analfabeto funcional, nada entende de propostas políticas e acredita que governo não é algo que lhe atinge, então deixa pra lá. A minha colocação sobre o povo não é pejorativa, é uma situação real e que deve ser combatida pelo governo. O Ministério da Educação, pelo visto, não tem interesse de que tal situação se altere ao permitir que se fale e escreva errado e com isso viabilizar o Lullês e dar aval às falas do ex-presidente, que trota ao som das ferraduras e se considera em férias.
É por falta de crescimento intelectual via estudo e educação que permite ao país sofrer de ausência de administração. Esta ausência, fruto do despreparo para governar e participar da estrutura de governo, é que leva a esta angustiante situação na infraestrutura nacional existente. O Brasil não anda e as obras estão quase parando. Algumas sem andamento. A desorganização é uma realidade e demanda até reunião da presidente com prefeitos para ver se ainda vamos conseguir realizar a Copa do Mundo de Futebol. Não bastasse, ressurge do esgoto o ex-governante para bombardear o cacife político da presidente que tem lutado para se manter viva física e politicamente. Não só isso, procura dar organização ao que lhe foi delegado. Esta ação, da organização, incomoda o ex-ocupante da presidência e a sua aparição foi mais um recado do seu ego oportunizado pelo PMDB, que também se aproveitou para dizer que ele é o preferido, caso não lhe sejam atendidas suas volúpias por cargos e poder. Ói nóis de novo novamente.
Raphael Curvo é jornalista, advogado pela PUC-Rio e pós-graduado pela Cândido Mendes-RJ
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