Margareth Botelho O amor na teoria e na prática
Se tudo anda para frente no mundo, as experiências no campo do amor não poderiam ser diferentes. Não falo por sustentações científicas, mas há muitos apostando numa nova identidade entre homens e mulheres. Ela estaria nascendo longe dos tubos de ensaio e dos sofisticadíssimos laboratórios de genética. Apontaria para homens que realmente amam suas mulheres sem encará-las como meras fábricas de bebês. E o antes sexo frágil olhando para o então sexo forte como algo além de máquinas provedoras e de proteção. Legal, né. Confesso bastante interesse nesta questão embrionária.
Crente de que há muito mais entre o céu e a terra que sempre aproximam as pessoas que se amam, imagino até que a teoria deste achismo pode resultar em situações prazerosas na velha rotina delas e deles. Portanto, você aí em casa, enclausurado, estica o olho e observe em volta. Será que realmente, mas realmente enxerga sua companheira ou seu companheiro como você quer ou como ele ou ela é de fato?
Dizem que existe um limite para duração das paixões, que seria de 18 a 30 meses no máximo. A partir daí as uniões ganham fôlego e sobrevivem porque criam-se laços de amizade e companheirismo que talvez não mais provoquem suores frios nas mãos ou disparadas nos corações. Entretanto, embalados por um afeto indescritível conhecido como amor, essas relações levam a reações químicas onde o sentimento de calmaria que tempera o dia vira vulcão quando chega a noite. Na madrugada, nem se diga!
Agora, já convocando os cientistas para uma ajudinha, vou falar sobre a feniletilamina, um neurotransmissor que recentemente foi associado ao sentimento de amor. Os médicos Donald F. Klein e Michael Lebowitz, do Instituto Psiquiátrico Estadual de Nova Iorque, são os estudiosos que chegaram a esse affair amor e feniletilamina. Avaliando o cérebro do ser humano, descobriram que a produção do neurotransmissor multiplica-se diante de situações bucólicas, como uma troca de olhar ou um encontro de mãos, assim “sem querer, querendo”.
Esses médicos estão ainda fazendo novas experiências e avançando no estudo. Outros pesquisadores, no entanto, já atestam que além da feniletilamina o cheiro que exalamos pelos bilhões de poros na pele completam a cadeia da atração fatal. Existem evidências, segundo eles, que os seres humanos podem até se comunicar através de sinais bioquímicos inconscientes. E os amantes mais ainda. O “existir a dois”, descontroladamente, faz com que um casal emita informações um para o outro, com amplitude suficiente para conhecer as preferências dos companheiros (as).
Se você tá com aquela ideia na cabeça de que “o amor é lindo”. Acertou! E não tenha vergonha de admitir a premissa, porque os cientistas ainda afirmam por a + b que “amor à primeira vista” existe de fato graças a feniletilamina e outros hormônios produtores de cheiros, que eu citei lá em cima, lembra? Portanto, ao invés de chorar o leite derramado, se estiver procurando o cara da sua vida, fique atento (a), capriche no faro, no tato e vá à luta. Como diz a Adriana Calcanhotto: “o amor não vai parar de rolar”.
Margareth Botelho é jornalista, diretora de Redação e escreve em A Gazeta aos domingos neste espaço. E-mail: margareth@gazetadigital.com.br
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