Talita Ormond
Especial para A Gazeta
Açai, pupunha, juçara, palmeira real, guariroba. As espécies de palmito estão espalhadas por todos os cantos do Brasil. Extraído das palmeiras, o palmito é iguaria tipicamente brasileira que sempre colheu bons frutos para a economia do país. E Mato Grosso não vai ficar fora desse empreendimento. Visando o aumento do consumo do palmito de origem ecologicamente correta, o município de Cláudia está investindo e incentivando o cultivo e plantio da espécie pupunha e já possui quase 100 hectares de área cultivada com mais de 500 mil árvores. A pupunha tem a capacidade de perfilação, não havendo necessidade de replantio da árvore abatida. Segundo pesquisas, a árvore pode ficar produzindo por um período de aproximadamente 20 anos.
O monocultivo da cultura do palmito possui um custo de instalação elevado devido a todo o processo de plantio, irrigação e cultivo. O tempo aproximado de maturação da árvore para a colheita é de quatro anos sendo que já no primeiro corte o retorno do investimento é garantido.
A produção do município está sendo encaminhada para a agroindústria da região, especialmente para Sinop, onde é processada e distribuída.
A prefeitura, através da Secretaria Municipal de Agricultura vem disponibilizando técnicos para atender a demanda e crescimento das várias atividades agropecuárias, principalmente a agricultura familiar. "O objetivo é levar uma melhor qualidade de vida para o homem do campo, oferecendo alternativas, para o desenvolvimento sócio-econômico do agricultor e do próprio município", salientou o secretário Samuel Ache Gaya.
Além do mais, o palmito pupunha tem sido aplicado como alternativa para diminuir a pressão sobre o palmiteiro tradicional. A pupunheira, espécie originária da Amazônia, tem grande potencial para produção de palmito em áreas abandonadas pelos diferentes usos da terra. Por isto, representa importante alternativa agroecológica para diversificação da fonte de renda na pequena propriedade rural.
Por sua alta produtividade, associada à capacidade de perfilamento, o cultivo da pupunha contribui para diminuir a pressão ainda existente sobre as populações remanescentes de juçara na Mata Atlântica. "Na pior das condições, a pupunha dá 0,5 kg de palmito por árvore podendo chegar até 1,5 kg", ressalta o engenheiro florestal David da Silva. Além disso, a pupunheira pode promover o fortalecimento e o crescimento da economia de municípios que apresentem potencial para a produção de palmito em pequena propriedade. Em Mato Grosso, os estudos da pupunha são uma alternativa para os sistemas agroflorestais, junto com a seringueira. "O produtor ganha com a pupunha até a seringal estar pronto", diz Silva.
Como cultura anual, produz ganhos crescentes de produtividade a partir do segundo ano, mediante o incremento de raízes dos perfilos ao longo do tempo e manejo dos resíduos de colheita, com ganhos sócio-econômicos variáveis, dependendo do grau de tecnologia adotado, área cultivada e condições microclimáticas.
Agregação de valor pode ser alcançada passando-se do palmito in natura para o palmito minimamente processado, até o palmito envasado ou enlatado. A cultura da pupunha, além do potencial produtivo e excelente opção de renda para o agricultor, pode também ter uma função ecológica importante, já que permite atender à demanda de palmito, aliviando a pressão sobre o extrativismo que tem sido observado na exploração da espécie.