Lula diz a Moro que descartou comprar terreno para instituto na 1ª visita | Gazeta Digital

Quarta, 13 de setembro de 2017, 21h05

Lula diz a Moro que descartou comprar terreno para instituto na 1ª visita


Agência Brasil

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (13), em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, que descartou comprar o terreno em São Paulo para sediar o Instituto Lula quando visitou o local pela primeira vez. Ele também disse que paga aluguel pela cobertura vizinha ao apartamento onde mora em São Bernardo do Campo (SP).

Os dois imóveis são peças centrais da segunda ação penal a que o petista responde no âmbito da Operação Lava Jato, e que levou à necessidade do depoimento prestado nesta quarta-feira. Foi o segundo depoimento de Lula a Moro.

No depoimento, prestado em Curitiba, o ex-presidente explicou a Moro as razões pelas quais considerou o terreno inadequado para o institut. “Primeiro, porque era numa área perto do aeroporto, que não é visitada e onde não transita o povo de São Paulo. Segundo, porque era um prédio inadequado, velho, que precisaria ser demolido se fosse adquirido. Como nós decidimos não adquirir, fomos procurar um lugar mais adequado, onde transita realmente o povo de São Paulo, que é ali próximo da Estação da Luz na Cracolândia”, contou.

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), a Odebrecht adquiriu o terreno para Lula como compensação pelos benefícios recebidos em contratos com a Petrobras. O ex-presidente disse a Moro que não tinha conhecimento do envolvimento da empreiteira, do advogado Roberto Teixeira, do pecuarista José Carlos Bumlai ou de Glauco Costamarques, primo de Bumlai, nas tratativas pelo imóvel.

“A única pessoa que falou comigo desse prédio foi o presidente do instituto, chamado Paulo Okamotto. (...) Eu fui uma única vez, cheguei lá e a primeira coisa que eu vi foi o seguinte: não interessa, é inadequado, não é uma zona onde pode frequentar muita gente”, ressaltou.

Cobertura

Sobre a cobertura vizinha ao apartamento onde mora em São Bernardo do Campo, Lula disse que aluga o imóvel desde 1998 para abrigar sua segurança pessoal e, posteriormente, a segurança presidencial.

“Agora, ele é um apartamento que está à minha disposição. Se permitirem que eu seja candidato em 2018, ele voltará a ter uma função política muito forte”, disse o petista.

Após a morte do proprietário da cobertura, em 2010, o imóvel foi adquirido por Glauco Costamarques, primo de José Carlos Bumlai. Lula disse que ficou sabendo do fato quando sua a esposa, Marisa Letícia, que faleceu, acertou com Costamarques o aluguel do imóvel.

O ex-presidente explicou a necessidade de manter o apartamento alugado. “Por eu ser uma figura de projeção nacional, era preciso que aquele apartamento não fosse ocupado por um terceiro, porque tinha muita facilidade de ver o apartamento onde eu moro. Inclusive, tem uma mesma laje que, se alguém subir na laje, vai poder ver o meu apartamento”.

Em depoimento a Moro, Costamarques afirmou que só passou a receber o aluguel do imóvel a partir do final de 2015, após a prisão de Bumlai. Esta versão foi contestada por Lula.

“Fiquei surpreso com o depoimento dele, porque nunca chegou a mim qualquer reclamação de que não se estava pagando aluguel. Porque ele declarava no Imposto de Renda dele que estava recebendo aluguel, e eu declarava no meu Imposto de Renda, que a dona Marisa mandava para o procurador, o pagamento do aluguel. Então, para mim nunca chegou”, ressaltou o petista.

Juízo contestado

Ao final do depoimento, Lula aproveitou o espaço para declarações finais e dirigiu uma pergunta ao juiz Sérgio Moro. "Vou chegar em casa amanhã e vou almoçar com oito netos, e uma bisneta de seis meses. Eu posso olhar na cara dos meus filhos e dizer que eu vim a Curitiba prestar depoimento a um juiz imparcial?"

“Não cabe ao senhor fazer esse tipo de questionamento, mas de todo o modo, sim”, respondeu Moro.

O ex-presidente insistiu que esse não havia sido o procedimento na outra ação penal, na qual Lula foi condenado por Moro a mais de 9 anos de prisão. O juiz preferiu não prosseguir com a discussão.

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