Com 21 deputados investigados, PP é a 2ªmaior bancada na Câmara | Gazeta Digital

Segunda, 16 de abril de 2018, 12h07

após o troca-troca partidário

Com 21 deputados investigados, PP é a 2ªmaior bancada na Câmara


Estadao

Mensalão, Lava Jato, ex-presidente preso, outro quadro histórico preso e hospitalizado, ação por improbidade, 21 dos 51 deputados investigados, sendo 5 já réus no Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar da acusação de envolvimento em esquemas de corrupção há mais de dez anos, o saldo até aqui do Partido Progressista em 2018 foi um dos mais positivos dos partidos brasileiros - tradicionais e novos.

A sigla fechou a janela partidária, que se encerrou em 7 de abril, com 51 deputados na Câmara, 15 a mais do que elegeu há quatro anos. O PP se tornou a segunda maior bancada da Casa, ao lado do MDB, que também saiu da janela com 51 deputados.

Na distribuição do fundo partidário, que leva em conta o número de parlamentares eleitos na última disputa, o PP fica com a quarta maior fatia: R$ 4,2 milhões por mês. Como o partido costuma atuar apenas no Legislativo - e na Esplanada, chefiando ministérios -, não precisa custear campanhas caras à Presidência. O único Estado comandado pelo PP hoje é o Paraná, por Cida Borghetti. Além de sua reeleição, o partido deve lançar candidatos em Rondônia, Roraima, Acre e Rio Grande do Sul.

O partido deve receber ainda do fundo eleitoral cerca de R$ 134,3 milhões, segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo. A soma só fica atrás de três siglas, MDB, PT e PSDB, que devem receber, respectivamente, R$ 243 milhões, R$ 212 milhões e R$ 185 milhões.

Com foro privilegiado, mesmo crimes comuns dos parlamentares são julgados pelo Supremo. No caso do PP, as acusações mais citadas são de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Mas há ainda inquéritos por lesão corporal e racismo. Este último, contra o deputado federal Luis Carlos Heinze (pré-candidato no Rio Grande do Sul), que chamou quilombolas, índios, gays e lésbicas de ‘tudo que não presta‘. O inquérito, porém, foi arquivado por imunidade parlamentar e ainda por ‘ausência de dolo específico‘.

O partido também foi o único denunciado, como pessoa física, por improbidade administrativa na Lava Jato. Ao lado do MDB, também tem uma denúncia na chamada investigação do ‘quadrilhão‘. O STF acatou as acusações no mês passado e quatro políticos do partido se tornaram réus (veja quadro nesta página). Questionado sobre as denúncias, o presidente da sigla, senador Ciro Nogueira (PI), alega que ‘não existe nenhum partido de importância no País que não tenha sido (alvo)‘. Contra ele próprio, tramita no Supremo mais de um inquérito.

Ministérios

Após a reforma ministerial do presidente Michel Temer, a legenda manteve os maiores orçamentos da Esplanada: Ministério da Saúde, Agricultura, Cidades e o comando da Caixa Federal. No mês passado, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) deixou o Ministério da Saúde para voltar para a Câmara, mas logo assumiu Gilberto Occhi, então presidente da Caixa Econômica ligado ao PP. Para o banco público, o partido indicou Nelson Antônio de Souza. Alexandre Baldy se filiou à legenda na janela partidária e se manteve no comando das Cidades.

Nascido do Arena, o PP teve diferentes nomes na redemocratização, mas participou da base de todos os partidos desde então. Ciro Nogueira atribui a escalada do partido com a coerência da bancada nas votações do Congresso. ‘Graças à coerência e à unidade. Nos últimos dez anos, os que mais votaram unidos e coerentes foram os progressistas. Outro motivo, é que nosso foco é totalmente no Congresso, fortalece muito a bancada federal na Câmara e no Senado‘, afirmou o senador à reportagem.

Nas últimas votações importantes, o PP votou unido no impeachment de Dilma Rousseff e contra as denúncias de Temer. Na reforma trabalhista, apenas 8 dos então 42 deputados votaram contra. Desde 2015, o partido de Paulo Maluf, que hoje cumpre prisão domiciliar e está hospitalizado, vem tentando renovar sua imagem. Propagandas do ano passado, chamavam a sigla, inclusive, de ‘novo PP‘. A mudança é capitaneada pelo por Nogueira, presidente do partido pelo terceiro mandato seguido, desde 2013.

Ricardo Barros atribuiu parte do sucesso na janela à liderança de Nogueira. ‘É um partido homogêneo, em que a liderança do presidente Ciro Nogueira é efetiva‘, afirmou.

Bancada

Depois de 18 anos no PTB, o deputado Arnaldo Faria de Sá mudou para o PP alegando que sofreria um processo de expulsão no seu ex-partido por ter votado contra a reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ele disse que sua ida ao PP não está vinculada ao financiamento de sua campanha com recursos do fundo partidário e que só negociou com o Guilherme Mussi (PP-SP), presidente da sigla em São Paulo, a sua permanência em comissões. ‘Minha única exigência foi essa‘, afirmou.

Orgulho

Condenado no mensalão e na Lava Jato, preso e com direitos políticos cassados desde 2013, o ex-deputado Pedro Corrêa não deixa de comemorar, de sua casa em Recife (onde cumpre prisão domiciliar desde o ano passado), a escalada do PP.

‘A gente sente orgulho, embora eu não esteja filiado mais ao partido.  distância, torço por ele‘, disse ele ao Estado, em entrevista por telefone. Corrêa lembra ainda que, sob sua gestão, a legenda chegou a ter também 50 parlamentares.

‘É um partido forte. Deve ter alguma coisa boa para os parlamentares estarem ficando com ele, um sex appeal, algo assim‘, brinca. Ele também atribuiu o crescimento da legenda à ascensão da direita no mundo. Lembra que o PP é ‘progressista e liberal‘.

O ex-presidente do PP conta que as últimas conversas com políticos que teve foi em 2017, quando ainda estava preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, antes de conseguir converter seu regime para domiciliar. Os diálogos giravam em torno de notícias de jornais televisivos com seus então companheiros de cárcere: os petistas José Dirceu e José Genoino, entre outros.

Certa vez disse durante sessão da CPI da Petrobrás na Câmara, em 2015, que só não prendiam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (condenado e preso na Lava Jato), porque não tinham coragem. ‘É, eu estava errado‘, revê ele.

‘Estamos passando o País a limpo, o empresariado, o mundo político. Agora tem que ver Judiciário também. E vamos ver o que vai sobrar disso‘, diz o ex-deputado, que chegou na Câmara em 1979, pelo Arena, e saiu quando cassado no escândalo do mensalão em 2006.

Aos 70, Corrêa diz ter a saúde frágil. Ele conta que sua última cirurgia, nas costas, seria herança dos tempos em que dormiu sobre um colchão fino na cadeia - primeiro em Pernambuco, depois no Paraná. Seu correligionário Paulo Maluf (SP), também preso, está internado no Hospital Sírio Libanês há mais de dez dias.

‘Acho que ele tem de estar num hospital, o Estado não tem condições de tomar conta dele. Fora que é muito caro. Não tem estrutura, não tem dinheiro.‘ O Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar o habeas corpus do ex-prefeito de São Paulo nesta semana.

Questionado se sente falta dos tempos em que participava da política, Correa não nega. ‘Eu fiz tudo que eu tinha que fazer, agora estou quieto pagando minha pena. Mas mesmo se eu puder um dia tentar, meu eleitorado está morrendo todo. Mas gostaria mesmo de voltar à política, as coisas no mundo só se resolvem com política.‘

Gazeta Digital também está no Facebook, YouTube e Instagram   



Aguarde! Carregando comentários ...


// matérias relacionadas

Segunda, 23 de abril de 2018

08:55 - Pré-candidatos ao governo de SP fazem romaria a Temer na capital

Sexta, 20 de abril de 2018

10:54 - Marina se defende de apoio a Aécio em 2014 e apoia fim de foro privilegiado

Domingo, 15 de abril de 2018

16:00 - Alckmin aparece empatado com Bolsonaro em SP, aponta pesquisa

13:30 - Manuela d'Ávila comemora resultado do Datafolha

08:40 - Sem regra, pré-campanha vira vale tudo eleitoral no Brasil

Sexta, 06 de abril de 2018

12:21 - Sete ministros deixam cargos e Meirelles ainda não está entre os exonerados

Quinta, 05 de abril de 2018

12:45 - Doria minimiza saída de deputados do PSDB

12:30 - DEM confirma filiação de Eduardo Paes nesta sexta para disputar governo do Rio

Quarta, 04 de abril de 2018

12:35 - Termina sexta-feira prazo para janela de troca partidária

Terça, 03 de abril de 2018

09:48 - Marina e Barbosa descartam aliança em eleição


// leia também

Segunda, 23 de abril de 2018

18:30 - Lula diz em carta que PT pode ficar à vontade para decidir sobre candidatura

17:17 - PSDB expulsa prefeito de Bariri suspeito de abusar de menina de 8 anos

16:54 - Justiça proíbe visitas de Dilma e outros 'amigos' a Lula em carceragem na PF

15:04 - Prisão ocorre em 16% dos inquéritos por corrupção

14:32 - Dominadas por indicações políticas, agências têm 11 vagas na prateleira

08:51 - Autoridades cometerão crime se impedirem visita de comissão a Lula, diz Pimenta

Domingo, 22 de abril de 2018

08:45 - Medo de escândalos inibe doações de eleitores

08:38 - Sem consenso, Câmara discute reforma do Código de Processo Penal

Sábado, 21 de abril de 2018

17:00 - Senador não atendeu a interesses, afirma defesa

14:30 - Prisão da Lava Jato espera por Zé Dirceu, dizem juristas


 veja mais
Cuiabá, Terça, 24/04/2018
 

Facebook Instagram

Fogo Cruzado
titulo_jornal Terça, 24/04/2018
F07df325ee82be3e6dacdf41b9f307dc anteriores



Indicadores Econômicos

Mais Lidas Enquete

Brasil deveria fechar a fronteira com a Venezuela?




Logo_classifacil









Loja Virtual