Quinta, 21 de julho de 2016, 00h00

Claudinet Coltri Júnior

O perigo da atitude

Claudinet Coltri Júnior


Ter atitude é bom. O problema é quando o ignorante toma a atitude. A melhor coisa de quem não tem preparo é tentar gerar competência antes de fazer algo. Se não quiser pagar o preço da aprendizagem e do tempo que se leva a isso, a melhor decisão é ficar quieto.
Na semana passada, Robson Braga de Andrade, presidente da Confederação Nacional das Indústrias, CNI, defendeu medidas duras da presidência da República em relação à Previdência Social e as leis trabalhistas. Para as segundas, defendeu a ideia de elevarmos a jornada de trabalho no Brasil para 80 horas, levando em consideração a mudança proposta na França.
Pior que isso, é que ainda tentam nos fazer de bobos. Logo após a polêmica instalada, a CNI divulgou nota dizendo que seu presidente não defendeu essa ideia. Defendeu sim. Basta saber ler. Disse ele: “A França perdeu a competitividade de sua indústria com relação aos demais países da Europa. Agora, está revertendo e revendo suas medidas para criar competitividade. O mundo é assim e temos de estar abertos para fazer essas mudanças. Ficamos ansiosos para que essas mudanças sejam apresentadas no menor tempo possível”.Quando ele diz “essas mudanças”, fala sobre medidas francesas. E quais são as medidas francesas?
A questão é a seguinte: não é de hoje que, em termos de produtividade, sabemos que as 40 horas semanais é a jornada que mais gera resultado. Menos que isso, o resultado cai. Acima desse limite, a médio e longo prazo, a produtividade também cai. Por isso temos férias, fim de semana e descanso de 11 horas entre uma jornada e outra. São recarregadores de energia. São em prol da produtividade.
Assim, um pensamento desse tipo só tem duas justificativas: desconhecimento total dos princípios e das leis tempo/produtividade, como a Lei da Contra-Produtividade do Tempo para Além de Certo Limite que diz que, para além de um certo limite horário, a produtividade do tempo investido decresce e torna-se negativa, ou, se conhecê-las, o foco deve estar na perversidade de transformar o trabalho, cada vez mais, em castigo, tirando o tempo em que a pessoa possa ser dona de si mesma, ou seja, uma prisão.
Cada vez mais creio ser preciso cuidado ao sairmos por aí falando em atitude. Os ignorantes também ouvem e se estimulam a fazê-lo. E é aí que mora o perigo. Pense nisso, se quiser, é claro!


Claudinet Coltri Júnior é palestrante, consultor organizacional e educacional, professor e diretor da Nova Hévila Treinamentos. Website: www.coltri.com.br - E-mail: coltri@coltri.com.br - facebook.com/coltrijunior.
 



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