Escola sem cérebro | Gazeta Digital

Quinta, 28 de julho de 2016, 00h00

Claudinet Coltri Junior

Escola sem cérebro

Claudinet Coltri Junior



O político brasileiro é um caso à parte. Depois de tantas lambanças nos últimos tempos, só faltava esta: a escola sem partido.Esse é um tipo de projeto que já tem seus motivos reais totalmente escancarados. Assim, algumas considerações são importantes.
Em primeiro lugar, é preciso tomar cuidado com nomes bonitos. Para nominarmos algo é preciso que haja identidade com o conteúdo. É uma forma. A outra é gerar um nome que tenha apelo popular e que leve a se pensar em um conteúdo que tenha a ver com o nome dado, mas que, no fundo, esconde, camufla, a real intenção. O segundo caso se aplica a esse projeto.
Em segundo lugar, o grande mote para a escola sem partido é o fato das escolas falarem sobre Karl Marx. Passam a ideia de que elas falam ‘só’ sobre Marx e que isso estaria formatando a cabeça dos jovens. Se fosse verdade, o Aécio não teria a quantidade de votos que teve, o PSDB não dominaria São Paulo há mais de 20 anos e jovens não bateriam panelas só para o governo do PT, tampouco sairiam às ruas para o impeachment da Dilma para colocar Temer/Serra e Cia Ltda. Bolsonaro, então, nem se fala. Seria um ectoplasma, como diria Padre Quevedo!
Na verdade, Marx é um pensador, assim como muitos outros. Considerá-lo demoníaco é ignorância de sua obra. É preciso entender que ele não propôs a troca do capitalismo pelo socialismo e comunismo, mas que ambos seriam uma evolução do primeiro, quando a industrialização e o mercado já estivessem maduros. A Rússia queimou etapas no início do século passado. Deu no que deu!
Em terceiro lugar, se o problema é Karl Marx, não se prega uma escola sem partido, mas uma escola sem falar sobre o pensamento dito de esquerda. Alguém ousaria deixar de falar de Taylor, Fayol, Adam Smith, Senge, Norton, Kaplan, Drucker, todos eles com trabalhos voltados ao capitalismo, dito de direita? Para um escola verdadeiramente sem partido deveria ser assim. Portanto, acabar-se-iam todos os cursos de ciências sociais porque seria um risco dar aulas nesse sistema.
Em quarto lugar, se o projeto passar, as ciências sociais não acabarão, mas encolherão porque a ideia é de uma escola de um partido só. Assim, onde não se precisa pensar, escolher, o cérebro torna-se dispensável. A escola sem partido é que é formatadora de pensamento porque priva o aluno de um dos lados. O cérebro tem (e precisa) dos dois...



Claudinet Coltri Junior é palestrante, consultor organizacional e educacional, professor e diretor da Nova Hévila Treinamentos. Website: www.coltri.com.br - E-mail: coltri@coltri.com.br - facebook.com/coltrijunior.

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