Quinta, 10 de novembro de 2016, 00h00

O conhecimento faliu


Tem horas que pergunto: ‘em que ano estamos, mesmo’? Passamos a década passada toda falando em mudanças, em avanços, em necessidade de adaptação ao novo, às novas tecnologias, às novas formas de convívio social, sobre a era do conhecimento (ou pós-industrial) dentre tantas outras coisas.
Belchior, ainda nos anos 70 nos falava que no presente, a mente, o corpo são diferentes e o passado é uma roupa que não nos serve mais. Junto a isso, relatou em um dos mais belos poemas que, também naquela época, a dor era perceber que haviam feito muitas coisas, mas que ainda eram os mesmos e viviam como seus pais. E hoje, na segunda metade do século XXI, estamos prestes a voltar muito, mas muito no tempo.
No Brasil, ganha-se cada vez mais adeptos à ideia do liberalismo. E muitos dentro de um senso comum, partindo de algumas premissas: economia sem interferência do estado, já que este é inchado, gasta muito e, para tal, tem que arrecadar muito. Atrapalha o lucro. Para piorar, o Estado é incompetente para fazer e recuperar estradas, ruas, para implantar e gerir redes de água e esgoto, para cuidar de parques, para prover a iluminação pública, para cuidar da saúde e da educação. Isso alarmado, gera uma força tremenda para tirar todo o poder que o Estado tem. Em contrassenso, cobra-se segurança, educação, transporte, saúde e tantas outras do pasmem Estado. Faz-se o que, então? Privatiza-se.
É fato que tudo que é voltado ao mercado, que gera concorrência, pode, sim, ser privatizado. Mas, no mínimo, educação, saúde e segurança pública são deveres do Estado. Quando se tira isso dele, é como se ele não tivesse mais importância nenhuma. Já vivemos uma época assim, que foi chamada de Feudalismo. Como a bancada ruralista é a grande vencedora da batalha política que estamos passando... bem-vindos ao mundo feudal.
E por que estamos recuando? Por que os Estados Unidos também estão. A vitória de Trump, ao menos por tudo o que ele prometeu e por onde ele venceu, tem como ideia colocar os estados-unidenses de volta à era industrial. Pois bem: o cenário mundial evoluía cada vez mais, e há mais de 20 anos, para esse modelo: era agrícola para os países pobres; os em desenvolvimento na era industrial e as potências mundiais na era do conhecimento (a pós-industrial) ‘alimentando’ os outros dois com tecnologia e tirando proveito da produção de ambos para fazer dinheiro.Se estamos retrocedendo, o recado é claro: o conhecimento faliu!

Claudinet Coltri Junior é palestrante, consultor organizacional e educacional, professor e diretor da Nova Hévila Treinamentos. Website: www.coltri.com.br - E-mail: coltri@coltri.com.br - facebook.com/coltrijunior.



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