Lumiar | Gazeta Digital

Quinta, 17 de novembro de 2016, 00h00

Lumiar


Uma das coisas mais difíceis de percebermos é o impacto que temos na vida das outras pessoas que se relacionam conosco. Em todo relacionamento há trocas e estas podem ser positivas ou negativas. Podemos deixar as pessoas, ao nos despedirmos, com leveza ou amargor, com pensamentos de elevação e construção (mesmo dizendo o que tem que ser dito, por vezes, até, naquele momento, fazendo com que a pessoa sinta alguma dor emocional - que também faz parte do processo de crescimento), ou de destruição (mesmo sendo bonzinho, agradável, conivente com alguma coisa que deveria sê-lo, mas que pode levar a pessoa a sérios problemas futuros).
Já disse em outras oportunidades, aqui, que devemos tomar cuidado ao exigir, ou ordenar, atitudes das pessoas. Precisamos criar um ambiente de reflexão. Perdemos muitas chances de crescimento quando participamos de conversas, que são monólogos, pois as pessoas estão centradas apenas no que dizem. Quando ouvem é para arranjar uma contraposição ao que o outro diz, sem tentar entender o seu ponto de vista. Assim, nos fechamos em nós mesmos e perdemos a oportunidade do verdadeiro sacrifício (sacro ofício, o trabalho sagrado). Abstemo-nos de doar um pedaço de nós e deixar que o outro também o faça conosco. Saímos desses encontros no mesmo nível em que estávamos e, ainda, emocionalmente piores.
O fato é que precisamos tornar nossas relações mais leves, amigáveis e educadoras. E isso não impede a discordância, impede, sim, a dissenção, o rompimento, o fim das relações por divergências de opinião. Precisamos aprender a falar e a ouvir. Falar para ajudar o outro a refletir. Ouvir para aprender a refletir. Rubem Alves já nos alertava, parafraseando Alberto Caiero, que não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito, é preciso que haja silêncio dentro da alma.
Na verdade, precisamos da oratória e da ‘escutatória‘. Se doar um pouco do que somos nos faz bem, também deve fazer ao outro. Então, há importância, tanto na disposição de ensinar, quanto de aprender. A comunicação humana é como uma transmissão de fax, só se realiza se o outro aparelho receber a mensagem, mesmo que não concorde com ela.
Assim, que nossos encontros possam ser benéficos e edificantes, por serem reflexivos. Que possamos trazer a luz da qual precisamos. Que ajudem a aquecer os nossos corações. Que sejam o nosso lumiar...

Claudinet Coltri Junior é palestrante, consultor organizacional e educacional, professor e diretor da Nova Hévila Treinamentos. Website: www.coltri.com.br - E-mail: coltri@coltri.com.br - facebook.com/coltrijunior.



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