Comércio exterior e o Brasil | Gazeta Digital

Sexta, 29 de julho de 2016, 00h00

Juacy da Silva

Comércio exterior e o Brasil

Juacy da Silva


A crise econômica, financeira, orçamentária que há praticamente cinco anos vem afetando o Brasil, a cada dia contribui mais para o estrangulamento de nossa economia e sociedade, afetando os níveis de emprego, a queda das importações e das exportações e colocando o Brasil como mero fornecedor de matérias-primas e extrativismo, situação de dependência da conjuntura internacional, marcada, principalmente pela queda dos preços das “commodities” e redução das taxas de crescimento da China e de uma lenta recuperação da Europa, dos EUA e do Japão.
Ao longo dos tempos o Brasil sempre se notabilizou por ser um grande produtor e exportador de matérias primas. Desde o período da Colônia, passando pelo Império e chegando ‘a República. Já fomos os maiores produtores e exportadores de ouro, madeira, borracha, café, minério de ferro, sempre com baixo valor agregado, que utilizava e ainda utiliza mão de obra escrava, semi escrava ou com baixa remuneração e, até início ou meados da década de cinquenta grandes importadores de produtos acabados, industrializados que agregavam tecnologia.
Outro saldo negativo deste modelo agroexportador e extrativista e de outros produtos primários é o grande passivo ambiental que fica na esteira deste modelo predador, como o desmatamento e destruição de ecossistemas como a mata atlântica, o agreste,as matas e o cerrado da região do Brasil central e, ultimamente, a pré Amazônia e a região norte e o próprio Pantanal.
A despeito dos discursos oficiais e da elite exportadora, o Brasil, apesar de já ter ocupado a sétima posição em termos do PIB no cenário internacional, atualmente a nova e em breve a décima posição, há praticamente meio século é um ator bastante secundário no comércio internacional. Desde a década de setenta, época do milagre brasileiro, do período militar, quando o Brasil crescia a taxas superiores a 7% ou até 8,5% quando as exportações representavam 1,5% do total das exportações mundiais até 2016, quando a recessão afeta todos os setores da economia, inclusive nossas exportações que representam apenas 1,2% do total das exportações mundiais.
Existe uma certa euforia sem base real e verdadeira e ao mesmo tempo uma certa manipulação do discurso de que a única saída para a crise brasileira é o comércio exterior, principalmente as exportações. Pouca gente, principalmente os governantes incompetentes, os gestores públicos que fazem da bajulação oficial uma prática costumeira e os empresários que se beneficiam dos favores, subsídios e outros privilégios concedidos pelo Governo, com sacrifício da população, colocando as exportações como a única tábua de salvação em momentos de crise.
Enquanto a pauta das exportações dos países desenvolvidos ou emergentes está concentrada em produtos acabados, com valor agregado e alta tecnologia e suas importações calcadas em produtos primários, extrativos, o Brasil continua amarrado a um modelo atrasado, sujeito às flutuações do Mercado externo e a instabilidade dos preços das “commodities”.
Comparando os dados tanto do valor das exportações quanto volume e valor das exportações per capita, também a relação das exportações com o PIB e a participação das exportações brasileiras no total das exportações mundiais com diversos outros países, inclusive da América Latina, o desempenho do Brasil tem sido muito medíocre nesses últimos 46 anos.
A participação das exportações do Brasil no PIB em 2015 foi de 13.0%, um dos mais baixos da América Latina e muitíssimo abaixo dos países da União Européia e outros desenvolvidos como a Alemanha que foi de 46.9%; da Coréia do Sul 45,9%; do Paraguai 41.9%; da Bolívia 43,0%; da Bélgica 84,0%.
Em 1970 as exportações do Brasil foram de US$2,5 bilhões e as da China de US$2,8 bilhões e ocupavam, respectivamente, a 28ª e 24ª posições no rankig mundial das exportações naquele ano. Em 2014 as exportações do Brasil somaram US$ 270,3 bilhões e as da China 2,475.7 trilhões de dólares, ocupando, respectivamente, Brasil 24ª posição e a China 1ª. posição no ranking mundial das exportações.
Comparando as exportações do Brasil neste e outros indicadores com a Coréia do Sul, a Bélgica, a Índia, o México, a Tailândia, a Holanda, a Alemanha e outros países o Brasil continua muito mal na foto. A culpa, com certeza é dos nossos governos e dos empresários que, ao longo de meio século, continuam presos a um modelo ultrapassado e por políticas equivocadas nas áreas da educação, da ciência e da tecnologia e da qualificação da mão de obra e à modernização do pais e das empresas. Este é mais um dos grandes desafios nacionais.


Juacy da Silva, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista de A Gazeta. Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog wwww.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy
 

Gazeta Digital também está no Facebook, YouTube e Instagram   



Aguarde! Carregando comentários ...


// leia também

Sexta, 10 de fevereiro de 2017

00:00 - O Brasil visto de fora

Sexta, 03 de fevereiro de 2017

00:00 - Desemprego, o drama de milhões

Sexta, 27 de janeiro de 2017

00:00 - Corrupção na ordem do dia

Sexta, 20 de janeiro de 2017

00:00 - Futuro incerto (1)

Sexta, 13 de janeiro de 2017

00:00 - Antessala do inferno 2

Sexta, 06 de janeiro de 2017

00:00 - Ante sala do inferno I

Sexta, 30 de dezembro de 2016

00:00 - Enfim, 2016 acabou!

Sexta, 23 de dezembro de 2016

00:00 - Tempo de compaixão e solidariedade

Sexta, 16 de dezembro de 2016

00:00 - Avaliação do governo Temer

Sexta, 09 de dezembro de 2016

00:00 - Unidos contra a corrupção


 veja mais
Cuiabá, Terça, 17/10/2017
 
Facebook Instagram
GDEnem

Fogo Cruzado
titulo_jornal Terça, 17/10/2017
D2bab0a64433d8a82c0d6ba1796fedd3 anteriores



Indicadores Econômicos

Mais Lidas Enquete

Executivo não irá encaminhar um novo projeto de suplementação orçamentária à Câmara.




Logo_classifacil









Loja Virtual