Sexta, 05 de agosto de 2016, 00h00

Juacy da Silva

Os bandidos estão vencendo

Juacy da Silva


</TIT18>A corrupção ganhou espaço e fortaleceu sua musculatura e o roubo aos cofres públicos passou a ser quase que uma rotina


                  
Há décadas tanto a violência quanto a corrupção não param de crescer no Brasil, muito mais do que o aumento demográfico, do que o PIB e outros indicadores econômicos e sociais. Antes, pelo menos era o que a grande ‘mídia’ informava, essas duas mazelas estavam presentes nas grandes cidades e muito mais nas estruturas do governo federal onde estão concentradas grandes massas demográficas e a maior parte dos impostos arrecadados.
Ante a omissão dos poderes constituídos, da morosidade e pouca efetividade das ações dos órgãos de controle, a corrupção ganhou espaço e fortaleceu sua musculatura e o roubo aos cofres públicos passou a ser quase que uma rotina e atingiu organismos federais, estaduais e municipais e todos os poderes.
Muita gente argumenta que ao verem os que ocupam o ápice da pirâmide roubarem abertamente, também os bandidos ‘comuns’ passam a agir com mais desenvoltura.Os roubos, furtos, estupros, sequestros, as famosas saidinhas de bancos e casas lotéricas, os arrastões nas praias, nas ruas, praças, túneis, condomínios passam a ser cada vez mais frequentes.
Resultado, a população brasileira é roubada triplamente. Primeiro pelos bandidos de colarinho branco, muitos buscam um mandato para aparelharem as estruturas de poder e ali colocarem seus comparsas e poderem meter a mão no dinheiro publico. Esses ladrões de colarinho branco inventaram um sem número de subterfúgios para estarem a salvo dos braços da lei, como o foro especial, para poderem ser julgados apenas pelas instâncias superiores do poder judiciário, o chamado ‘foro privilegiado’. Utilizando deste atalho acabam escapando das mãos de juizes de primeira instância e por estarem acobertados por mandatos eletivos ou cargos como secretários de estado, parlamentares estaduais ou federais, senadores, governadores, ministros e presidentes da República são figuras especiais, quase intocáveis. Acabam sendo protegidos também pela morosidade da justiça e pela impunidade, tráfico de influência e outros privilégios. Outra forma de proteger criminosos no Brasil é o chamado segredo de justiça. Bandido ‘pé de chinelo’ quando é preso imediatamente é algemado, a prisão é registrada com um grande estardalhaço e os ladrões de colarinho branco não podem ser algemados, seus processos tramitam longe dos olhares e conhecimento da sociedade. A terceira forma da população ser roubada é através de uma pesada carga tributária que jamais é revertida em serviços públicos de qualidade.
Existe apenas um ponto em comum entre essas duas categorias de bandidos: o uso da tornozeleira eletrônica. Os bandidos pé de chinelo por cometerem ‘crimes de menor poder ofensivo’ e, ao mesmo tempo pelo fato das penitenciárias e cadeias publicas estarem super lotadas, acabam gozando deste benefício, podem continuar circulando livremente, desde que usem a famosa tornozeleira eletrônica. Mas isto não impede que essas duas categorias de bandidos continuem cometendo seus crimes, uns assaltando e aterrorizando a população em suas casas, nas ruas e outros locais públicos e os bandidos de colarinho branco roubando os cofres públicos ou tentando obstruir a ação da justiça como fazem senadores, ex-ministros, ex governadores e ex presidentes da republica.
Para garantir a realização dos jogos olímpicos foram mobilizados grandes efetivos das forças armadas, da polícia federal, dos organismos de segurança estaduais e municipais no Rio de Janeiro, um aparato nunca visto, com aviões, helicópteros, submarinos etc. Mas o Brasil não é apenas o Rio de Janeiro e alguns outros aeroportos do Brasil. Enquanto isto, os bandidos do Rio Grande do Norte demonstraram sua força e fizeram atos que tanto amedrontaram a população como demonstraram que o governo daquele estado não tem condições, como na maioria dos estados, de garantir a segurança para a população.
Quanto aos bandidos de colarinho branco parece que estão ganhando de braçada este jogo de gato e rato. Protegidos por leis brandas, pela morosidade da justiça e pela certeza de que a impunidade age a seu favor, não temem nada, pois sabem que o crime compensa, afinal roubam milhões ou bilhões e se fizerem a delação premiada, como o bom ladrão, terão seus pecados políticos e sociais, por terem roubado os cofres públicos, perdoados ou suas penas reduzidas em muito, praticamente nenhuma penalidade mais severa que poderia desestimular outros bandidos travestidos de autoridades a serem tentados e meter a mão no dinheiro público.
Um dos fatos que a opinião pública não consegue entender é como a operação Lava Jato sob a batuta do Juiz Sérgio Moro já realizou diversas prisões e condenações e os políticos, deputados federais e senadores, que constam da LISTA DO JANOT continuam livres, leves e soltos. Um caso a pensar!



Juacy da Silva, professor aposentado da UFMT, mestre em sociologia, articulista de A Gazeta. E-mail: professor.juacy@yahoo.com.br Blog http://www.professorjuacy.blogspot.com/ Twitter@profjuacy
 



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