Liga da Justiça chega aos cinemas | Gazeta Digital

Quinta, 16 de novembro de 2017, 10h30

Crítica

Liga da Justiça chega aos cinemas

Cinepop


R7

Os tempos mudaram, e o cinema mudou também. Bem, ao menos o cinema de entretenimento. Fundos verde, efeitos especiais mil e uma montagem tão picotada que muitas vezes não conseguimos entender o que está se passando na tela – tenho pena dos mais velhos. Esse é basicamente o alicerce do cinemão pipoca atual, e pouquíssimos vão contra esta fórmula estrutural – na maioria das vezes os que vão não encontram público (Blade Runner 2049, alguém?).

O jeito é abraça-lo e tentar distinguir os mais bem produzidos. Liga da Justiça é um deles. Ao mesmo tempo, é impossível falar dos filmes da DC no cinema sem mencionar a rival Marvel, pioneira quando o assunto é construção de universo compartilhado. O que o estúdio nos ensinou, e fez muito bem, foi: para que ter apenas uma franquia, se você pode ter várias conectadas. Pense só, Homem de Ferro (2008, 2010 e 2013) é uma franquia milionária. E ela está entrelaçada com várias outras franquias milionárias – Thor, Capitão América, etc. – criando um verdadeiro universo cinematográfico. Foi a deixa para outros estúdios perceberem a grande jogada e tentarem entrar nessa. Por enquanto nenhum se saiu bem. 

 Mas por que estou falando da Marvel e seu universo compartilhado se o assunto aqui é Liga da Justiça? Eu não deveria estar avaliando o filme? E vou. Mas é preciso contextualizar. Num ponto meramente de entretenimento, Liga da Justiça funciona. É divertido, mesmo que muitas piadas não entrem no gol (a melhor é a do Cemitério Maldito), se move rápido, tem boa ação e interação entre os personagens – o ponto alto aqui.

O ponto negativo é justamente a estrutura de seu roteiro e o núcleo da trama, copiado diretamente do primeiro Os Vingadores (2012), e o seu vilão, nem de perto tão interessante e sarcástico quanto o Loki de Tom Hiddleston. Veja só esta história: um ser maligno vindo de outro planeta chega a Terra e deseja conquista-la, forçando assim super-heróis relutantes a se unirem para combater tal ameaça. Muito se fala que Os Vingadores teve êxito por ter apresentado anteriormente seus personagens em filmes solo, dispensando assim a história de origem deles no longa que os uniu. Bem, até que esta afirmação não é falsa, mas não podemos tirar o mérito do filme, que funciona que é uma beleza por si próprio. Liga da Justiça é Os Vingadores sem os filmes solo dos heróis. O problema é: já vimos isso antes, cinco anos atrás. 

 O Lobo da Estepe (Ciarán Hinds), o vilão, é uma vergonha, tanto em sua criação digital – que faz do personagem uma mistura de boneco de massa com o inimigo em algum vídeo game (daí o título do meu texto) – quanto em sua personalidade robótica – basicamente uma máquina de proferir frases de efeito e destruir tudo em seu caminho. Mas tudo bem, isso não tira muito do brilho do filme, este é apenas mais um vilão genérico (ainda digo que para um primeiro filme era necessário chegar grande). Talvez o que incomode mais seja a falta de substância, algum sentido ou mensagem no filme. Para tal afirmação pode-se contra-argumentar que muitos filmes do subgênero não a possuem, vide o recente Thor: Ragnarok, é verdade. E isso não evita-nos de aprecia-los. 

Liga da Justiça é menos sombrio, muito mais bem humorado (como dito, são piadas a torto e a direito, em especial com o personagem Flash, vivido por Ezra Miller) e faz mais sentido em sua narrativa do que BVS. É incrível como o cineasta Zack Snyder parece ter ouvido as reclamações e conseguido aparar as arestas para entregar um produto mais palatável aos fãs. Talvez não incrível, mas admirável.

No elenco, Ben Affleck entrega outro desempenho sólido como Batman, mas sofre por ser o único intérprete do personagem no cinema a não ter personificado o herói em um filme só seu, mostrando realmente como se comportaria como dono pleno dos holofotes. Já Gal Gadot teve essa oportunidade e brilhou. Aqui, continua extremamente carismática no papel, dando corda para nosso romance com ela. Das novas adições destacaria o truculento Jason Momoa como o bad boy Aquaman. Temos ainda o dramático Cyborg (Ray Fisher), bem explorado, e o piadista Flash (Ezra Miller), um pouco over.

É difícil saber também o que foi criado na tela por Snyder e o que foi criado por Joss Whedon, já que apenas o primeiro recebeu crédito como diretor. Dessa mescla saiu um prato saboroso, que serve bem como entrada enquanto ficamos esperando o prato principal.

Ps. Fiquem para as cenas pós-créditos. São duas! 

 

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