Quinta, 14 de julho de 2016, 00h28

Alfredo da Mota Menezes

Drogas e assassinatos

Alfredo da Mota Menezes


Em 190 dias deste ano se teve 200 assassinatos em Cuiabá e Várzea Grande. No ano passado, no mesmo período, foram 223. Houve uma queda, mas o número é ainda alto. Pode-se chegar ao fim do ano com uns 400 assassinatos nas duas cidades.
Volta-se a um paralelo de antes. Cuiabá e Várzea Grande juntas têm perto de 850 mil habitantes. As cidades de Franca e Ribeirão Preto juntas têm um pouco mais de 900 mil habitantes. Lá no ano passado houve 66 assassinatos. Tem sido a média nos últimos anos. É abissal a diferença entre dois lugares com quase a mesma população.
Quais os motivos para essa diferença? A escolaridade e desemprego em Cuiabá e Várzea Grande estão na média nacional. A maioria da população ganha, como no resto do Brasil, até três salários mínimos.
O IDH de Cuiabá é o primeiro do estado, o de Várzea Grande o décimo quinto. Cuiabá está na média nacional, o outro lado da ponte um pouco abaixo da média.
Desemprego, escolaridade, IDH e distribuição de renda não explicariam um número tão alto de homicídios nas duas cidades de MT.
Atribui-se isso à droga, mal que estaria na base desse número espantoso de homicídios. E a coluna volta à lengalenga de sempre.
Temos 900 km de fronteiras com a Bolívia, país que produz cocaína em grandes quantidades. Por mais esforçado que seja o trabalho do Gefron na fronteira não dá para competir com o que tem os traficantes.
Outro dia foram apreendidos no MS, 70 caminhões adaptados para transportarem toneladas de cocaína por mês do país vizinho. Aviões e outros meios sofisticados são usados para transportar o entorpecente. Se não combater esse mal os homicídios continuarão num patamar de Honduras ou Colômbia.
Há algo diferente em Brasília. É a nova postura do Ministério das Relações Exteriores falando em enfrentar os problemas de contrabando e tráfico de drogas em nossas fronteiras de maneira mais firme.
Vai haver um encontro dos países do Cone Sul nesses dias para debaterem o contrabando. A proposta do Brasil seria ajudar vizinhos, principalmente o Paraguai, em homens, informações e equipamentos. O mesmo, acredita-se, será o caminho para tratar com a questão da droga vinda da Bolívia.
Um acordo com o governo boliviano para um trabalho conjunto lá dentro, com ajuda em homens, equipamentos e informações, é a alternativa. Antes isso era feito com o apoio dos EUA até Evo Morales romper aquele acordo.
Agora se a Bolívia não quiser cooperar o Brasil pode forçar a situação em outros acordos, principalmente na compra do gás. O acordo vence em 2019. A negociação poderia incluir no momento só o assunto da cocaína.
Nesse momento o ideal seria um trabalho conjunto entre as Assembleias Legislativas, bancadas federais e governos de MT e MS para, junto com o Ministério das Relações Exteriores, criarem algo novo no relacionamento com a Bolívia. Os assassinatos diminuiriam em Cuiabá e entorno.




Alfredo da Mota Menezes e-mail: pox@terra.com.br site: www.alfredomenezes.com
 



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