Ferrovia e dúvidas | Gazeta Digital

Quinta, 25 de agosto de 2016, 00h00

Ferrovia e dúvidas


Na semana passada autoridades e empresários de Tacna, Peru, estiveram em Cuiabá defendendo a saída pelo porto daquela cidade de uma futura ferrovia transoceânica. O porto em Tacna é pequeno, os peruanos estão querendo aumentá-lo. Esse aumento nem começou, se começar ainda levaria mais de dez anos para terminar.
Para aumentar a confusão, eles falaram num estranho trajeto de ferrovia que passaria a mais de quatro mil metros de altura e por enormes túneis. A ferrovia dos chineses fala em altura de 2.050 metros.
No Peru se têm dois outros portos, Matarani e Ilo. O Chile também quer a saída por Iquique. Cada lugar defende seu peixe e aumenta a confusão sobre a ferrovia dos chineses, se vier.
Aproveitando a vinda dos peruanos falou-se em Cuiabá num estudo, elaborado pela Seção Latino Americana de União Internacional de Ferrovias, que diz que o transporte de uma tonelada de soja de Lucas a Santos e daí a Xangai na China custaria 120 dólares. Que a mesma tonelada de soja de Lucas, se for por portos do Peru até Xangai, seria de 166 dólares. Se verdade, a ferrovia estaria morta.
Os chineses sabem disso? Se sabem, por que poucos dias atrás jornal de circulação nacional publicou matéria, reproduzida no estado também, que uma empresa contratada pelos chineses para estudos sobre a ferrovia mostrara que ela era viável economicamente? Quem tem razão nessa historia?
Passaram-me outros números que aumenta a complicação para entender onde está a verdade nesse importante assunto.
De Sapezal até portos do Peru, passando por Porto Velho, Assis Brasil, Iñapari e chegando a Matarani, se teria algo como quatro mil km. Esse trecho é seguindo rodovias, não um traçado mais direto de uma ferrovia. De Matarani a Xangai seriam mais 17 mil quilômetros por mar, um total de 21 mil quilômetros.
De Sapezal ao porto de Santos são pouco mais de dois mil quilômetros. De Santos a Xangai se tem 21 mil quilômetros, um total de 23 mil quilômetros para chegar a soja de Sapezal à China. Dois mil quilômetros a mais que a saída pelo Pacifico.
Dizem os entendidos que a distância maior de Santos a Xangai é por água, meio de transporte mais barato que pode fazer a tonelada de soja ser mais barata. Mas, continuam os entendidos, a soja de Sapezal para o porto no Peru iria por ferrovia, meio mais barato que por carreta. O que, em tese, equilibraria um pouco aquela diferença. Carretas podem ir de Sapezal até Rondonópolis e dali por ferrovia para Santos, mas boa parte da soja do estado vai a Santos por terra. E, no caso, o custo cresceria também.
Não são esses os números? Por que não realizar no estado um grande encontro, incluindo os chineses, mais a empresa que fez o estudo de que o melhor frete seria por Santos, para debater com mais profundidade um tema que talvez seja o mais importante para o futuro econômico deste estado?

Alfredo da Mota Menezes e-mail: pox@terra.com.br site: www.alfredomenezes.com

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