Quinta, 10 de novembro de 2016, 00h00

Assassinatos em 2015


Nós brasileiros dizemos que somos um povo pacifico. Que não se vê aqui, como em outros lugares, guerras civis sangrentas. Que a Independência do país, diferente da América Espanhola, foi quase consensual. Que os golpes militares na outra América foram mais cruéis que no Brasil.
Não é bem assim se olharmos para os arrepiantes números de assassinatos que ocorrem no país. Em 2015, foram assassinadas mais de 58 mil pessoas no Brasil, ou 160 mortes por dia, um assassinato a cada nove minutos. O Brasil tem 3% da população mundial e 11% dos assassinatos.
Alguém fez um paralelo interessante e macabro. Mostrou que a Guerra Civil na Síria matou, entre 2011 e 2015, 256 mil pessoas. No Brasil, no mesmo período, foram assassinadas 278 mil pessoas.
A guerra na Síria é absurdamente violenta com o governo de um lado, os rebeldes do outro, o Estado Islâmico e o Hesbollah estão também no conflito, a Rússia joga bomba em ajuda a um grupo e os EUA e aliados fazem a mesma coisa para o outro. A mortandade no Brasil assim mesmo é maior.
Em 11 anos de Guerra no Vietnã morreram algo como 58 mil soldados dos EUA. No Brasil este é o número de mortes por assassinato por ano. É uma carnificina. Não parece que seja de um povo pacífico, não?
Em Mato Grosso em 2015 foram 1.348 assassinatos. Houve um decréscimo de 5% nessa estatística macabra de um ano para outro. Mas é ainda alto. O estado está em nono lugar entre os que mais tiveram assassinatos no ano passado. Sergipe tomou o lugar de Alagoas como o estado mais violento do Brasil. É interessante observar que os estados de São Paulo e Santa Catarina têm seguidas quedas em número de assassinatos.
Em Cuiabá e Várzea Grande também houve uma diminuição no número de assassinatos entre 2014 e 2015, mas continua alto. Foram 418 mortes. Quase um terço do total estadual. É um fenômeno ruim que deveria merecer mais estudos e análises de suas causas.
Quando se olha a renda per capita, o IDH, taxa de desemprego ou grau educacional, a região metropolitana não está muito distante do outro Brasil. Talvez esses índices não expliquem tudo que ocorre aqui e parte da explicação esteja no fator droga. Temos 900 km de fronteira com a Bolívia e Cuiabá e Várzea Grande podem está sofrendo consequências com a droga que vem daquele país.
Houve um encontro na segunda-feira em Cuiabá com autoridades do Brasil e da Bolívia para discutir a situação da fronteira. Pode ser o início de algo maior num assunto vital para MT e o Brasil. Se temos acordo com os bolivianos para o combate à febre aftosa, preocupados com a saúde animal, por que não termos também visando a saúde humana, como resultado de um trabalho melhor e mais eficiente contra assassinatos e na diminuição da entrada de drogas para dependentes?
 

Alfredo da Mota Menezes e-mail; piox@terra.com.br site: www.alfredomenezes.com



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