Quinta, 24 de novembro de 2016, 00h00

História


A Queda do Muro de Berlim ou a brusca guinada do comunismo para o capitalismo talvez seja o fato mais impactante do século 20. Cada dia aparecem mais livros sobre o assunto. Um deles, 1989 - O Ano que Mudou o Mundo de Michael Meyer.
O autor chama a atenção para ignorância do país dele, EUA, sobre o que ocorria no leste europeu. Gentes nos EUA jactavam que foram eles que fizeram que se chegasse aonde chegou. Imagem falsa vendida interna e externamente, inclusive aquela de que Ronald Reagan ajudou na queda do regime.
O livro destrói, com provas, esse ponto de vista. Mostra como os norte-americanos estavam por fora do que ocorria internamente nos países comunistas. Que não perceberam que havia enorme descontentamento.
Assumiu George Bush (pai) e seus altos assessores, segundo documentos, achavam que tudo aquilo que Gorbatchev dizia e fazia era mentira, que estava armando alguma jogada para aumentar seu poder na Europa. Os europeus, ao contrário, diziam que o regime estava se esboroando por dentro e os norte americanos vendo bicho papão debaixo da mesa.
A CIA, que amedronta a América Latina até hoje, é criticada nos EUA porque não viu o que estava acontecendo por dentro do sistema em derrocada.
Não havia mais dinheiro, as indústrias envelheceram, chegou a inflação, a renda caiu, ninguém acreditava mais no regime.Quando os países do bloco perceberam que a União Soviética estava sem condições de reagir a levantes, aconteceu aquela erupção.
É comum acreditar que foi a Polônia o estopim para o que veio a seguir no mundo comunista. O autor mostra que começou bem antes na Hungria.Ali se criou o clima do confronto e seus dirigentes até avisam Gorbatchev e à Alemanha Ocidental.
Apenas um registro histórico. O mesmo dia da vitória de lavada do sindicato Solidariedade na Polônia,na primeira eleição livre no bloco comunista, numa bruta coincidência, foi o mesmo dia do massacre na Praça da Paz Celestial na China e também o mesmo dia em que centenas de milhares de pessoas estavam nas ruas de Teerã pela morte do Aiatolá Khomeini. O líder que derrubou a monarquia pró-Ocidente no país. 
O autor mostra como a Guerra Fria afetou o comportamento, linguagem, gastos públicos e atitudes dos norte-americanos. Tudo girava em torno disso. O mundo também.
Otan, FMI, União Europeia, Comecon, Pacto de Varsóvia, Plano Marshal, Sputnik, viagem à lua, início da internet, ditaturas de direita ou esquerda na América Latina e tantos lugares, derrubar governos, ONU, mais dinheiro para bombas atômicas, aviões e armas, filmes, livros, contracultura, conflito de gerações, paz e amor, músicas e teatro de protestos, tudo foi criação daquele momento de tensão mundial entre capitalismo e comunismo.
De uma hora para outra,de dentro para fora, aquilo que estava fervendo sem que o Ocidente percebesse, sem
pressão de lugar nenhum, explodiu numa sucessão de fatos que mudou o mundo, como diz o título do livro.

Alfredo da Mota Menezes  E-mail: pox@terra.com.br   site: www.alfredomenezes.com



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